segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Ao menos 70% das espécies da Terra são desconhecidas


Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Embora o conhecimento sobre a biodiversidade do planeta ainda esteja muito fragmentado, estima-se que já tenham sido descritos aproximadamente 1,75 milhão de espécies diferentes de seres vivos – incluindo microrganismos, plantas e animais. O número pode impressionar os mais desavisados, mas representa, nas hipóteses mais otimistas, apenas 30% das formas de vida existentes na Terra.

“Estima-se que existam outros 12 milhões de espécies ainda por serem descobertas”, disse Thomas Lewinsohn, professor do Departamento de Biologia Animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), durante a apresentação que deu início ao Ciclo de Conferências 2013 organizado pelo programa BIOTA-FAPESP com o intuito de contribuir para o aperfeiçoamento do ensino de ciência.
Mas como avaliar o tamanho do desconhecimento sobre a biodiversidade? “Para isso, fazemos extrapolações, tomando como base os grupos de organismos mais bem estudados para avaliar os menos estudados. Regiões ou países em que a biota é bem conhecida para avaliar onde é menos conhecida. Por regra de três chegamos a essas estimativas”, explicou.
Técnicas mais recentes, segundo Lewinsohn, usam fórmulas estatísticas sofisticadas e se baseiam nas taxas de descobertas e de descrição de novas espécies. Os valores são ajustados de acordo com a força de trabalho existente, ou seja, o número de taxonomistas em atividade.
“No entanto, o mais importante a dizer é: não há consenso. As estimativas podem chegar a mais de 100 milhões de espécies desconhecidas. Não sabemos nem a ordem de grandeza e isso é espantoso”, disse.
Lewinsohn avalia que, para descrever todas as espécies que se estima haver no Brasil, seriam necessários cerca de 2 mil anos. “Para descrever todas as espécies do mundo o número seria parecido. Mas não temos esse tempo”, disse.
Algumas técnicas recentes de taxonomia molecular, como código de barras de DNA, podem ajudar a acelerar o trabalho, pois permitem identificar organismos por meio da análise de seu material genético. Por esse método, cadeias diferentes de DNA diferenciam as espécies, enquanto na taxonomia clássica a classificação é baseada na morfologia dos seres vivos, o que é bem mais trabalhoso.
“Dá para fazer? Sim, mas qual é o custo?”, questionou Lewinsohn. Um artigo publicado recentemente na revista Science apontou que seriam necessários de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão por ano, durante 50 anos, para descrever a maioria das espécies do planeta.
Novamente, o número pode assustar os desavisados, mas, de acordo com Lewinsohn, o montante corresponde ao que se gasta no mundo com armamento em apenas cinco dias. “Somente em 2011 foram gastos US$ 1,7 trilhão com a compra de armas. É preciso colocar as coisas em perspectiva”, defendeu.
Definindo prioridades
Muitas dessas espécies desconhecidas, porém, podem desaparecer do planeta antes mesmo que o homem tenha tempo e dinheiro suficiente para estudá-las. Segundo dados apresentados por Jean Paul Metzger, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), mais de 50% da superfície terrestre já foi transformada pelo homem.
Essa alteração na paisagem tem muitas consequências e Metzger abordou duas delas na segunda apresentação do dia: a perda de habitat e a fragmentação.
“São conceitos diferentes, que muitas vezes se confundem. Fragmentação é a subdivisão de um habitat e pode não ocorrer quando o processo de degradação ocorre nas bordas da mata. Já a construção de uma estrada, por exemplo, cria fragmentos isolados dentro do habitat”, explicou.
Para Metzger, a fragmentação é a principal ameaça à biodiversidade, pois altera o equilíbrio entre os processos naturais de extinção de espécies e de colonização. Quanto menor e mais isolado é o fragmento, maior é a taxa de extinção e menor é a de colonização.
“Cada espécie tem uma quantidade mínima de habitat que precisa para sobreviver e se reproduzir. Não conhecemos bem esses limiares de extinção”, alertou.
Metzger acredita que esse limiar pode variar de acordo com a configuração da paisagem, ou seja, quanto mais fragmentado estiver o habitat, maior o risco de extinção de espécies. Como exemplo, ele citou as áreas remanescentes de Mata Atlântica do Estado de São Paulo, onde 95% dos fragmentos têm menos de 100 hectares.
“Estima-se que ao perder 90% do habitat, deveríamos perder 50% das espécies endêmicas. Na Mata Atlântica, há cerca de 16% de floresta remanescente. O esperado seria uma extinção em massa, mas nosso registro tem poucos casos. Ou nossa teoria está errada, ou não estamos detectando as extinções, pois as espécies nem sequer eram conhecidas”, afirmou Metzger.
Há, no entanto, um fator complicador: o período de latência entre a mudança na estrutura paisagem e mudança na estrutura da comunidade. Enquanto as espécies com ciclo curto de vida podem desaparecer rapidamente, aquelas com ciclo de vida longo podem responder à perda de habitat em escala centenária.
“Cria-se um débito de extinção e, mesmo que a alteração na paisagem seja interrompida, algumas espécies ficam fadadas a desaparecer com o tempo”, disse Metzger.
Mas a boa notícia é que as paisagens também se regeneram naturalmente e além do débito de extinção existe o crédito de recuperação. O período de latência representa, portanto, uma oportunidade de conservação.
“Hoje, temos evidências de que não adianta restaurar em qualquer lugar. É preciso definir áreas prioritárias para restauração que otimizem a conectividade e facilitem o fluxo biológico entre os fragmentos”, defendeu Metzger.
Colhendo frutos
Ao longo dos 13 anos de existência do BIOTA-FAPESP, a definição de áreas prioritárias de conservação e de recuperação no Estado de São Paulo foi uma das principais preocupações dos pesquisadores.
Os resultados desses estudos foram usados pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente para embasar políticas públicas, como lembrou o coordenador do programa e professor do Instituto de Biologia da Unicamp, Carlos Alfredo Joly, na terceira e última apresentação do dia.
“Atualmente, pelo menos 20 instrumentos legais, entre leis, decretos e resoluções, citam nominalmente os resultados do BIOTA-FAPESP”, disse Joly.
Entre 1999 e 2009, disse o coordenador, houve um investimento anual de R$ 8 milhões no programa. Isso ajudou a financiar 94 projetos de pesquisa e resultou em mais de 700 artigos publicados em 181 periódicos, entre eles Nature e Science.
A equipe do programa também publicou 16 livros e dois atlas, descreveu mais de 2 mil novas espécies, produziu e armazenou informações sobre 12 mil espécies, disponibilizou e conectou digitalmente 35 coleções biológicas paulistas.
“Desde que foi renovado o apoio da FAPESP ao programa, em 2009, a questão da educação se tornou prioridade em nosso plano estratégico. O objetivo deste ciclo de conferências é justamente ampliar a comunicação com públicos além do meio científico, especialmente professores e estudantes”, disse Joly.
A segunda etapa do ciclo de palestras está marcada para 21 de março e terá como tema o “Bioma Pampa”. No dia 18 de abril, será a vez do “Bioma Pantanal”. Em 16 de maio, o tema será “Bioma Cerrado”. Em 20 de junho, será abordado o “Bioma Caatinga”.
Em 22 de agosto, será o “Bioma Mata Atlântica”. Em 19 de setembro, é a vez do “Bioma Amazônia”. Em 24 de outubro, o tema será “Ambientes Marinhos e Costeiros”. Finalizando o ciclo, em 21 de novembro, o tema será “Biodiversidade em Ambientes Antrópicos – Urbanos e Rurais”.
Programação do ciclo: www.fapesp.br/7487 

Fonte: http://agencia.fapesp.br/16867

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Ilhas de calor podem intensificar temporais em SP

 

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	 as precipitações são agravadas pela ocupação desordenada da metrópole, que passa por um fenômeno conhecido como “aquecimento local”, que forma ilhas de calor no perímetro urbano. | Foto: <a href='http://www.flickr.com/photos/flborges/7089196179/sizes/m/in/photostream/' target='_blank'>Felipe_Borges/Flickr</a></p>
 as precipitações são agravadas pela ocupação desordenada da metrópole, que passa por um fenômeno conhecido como “aquecimento local”, que forma ilhas de calor no perímetro urbano. | Foto:Felipe_Borges/Flickr
Os paulistanos já conhecem os estragos causados pelas fortes chuvas que caem na metrópole nesta época do ano, mas nem todo mundo sabe que os temporais que castigam São Paulo estão ficando cada vez piores – e nem sempre a culpa é só da natureza.
O cenário caótico que assola a cidade de São Paulo nas tardes de verão é resultado do encontro de uma massa de umidade formada na Amazônia com as altas temperaturas da região sudeste. No entanto, as precipitações são agravadas pela ocupação desordenada da metrópole, que passa por um fenômeno conhecido como “aquecimento local”, que forma ilhas de calor no perímetro urbano.
A partir daí, fica fácil compreender porque as chuvas são mais fortes na cidade: com o alto número de construções e o solo impermeabilizado, o concreto potencializa as altas temperaturas do verão. Assim, no início da tarde, as ondas de calor sobem para a atmosfera e carregam mais ainda as densas nuvens que vêm da Amazônia – quanto maior o volume das nuvens, mais intensas são as precipitações.
Outro fator que piora o cenário das tempestades de verão é o descaso com as árvores da cidade, já que, sem o cuidado necessário, elas caem e causam falta de energia em várias localidades. O bairro dos Jardins, na zona sul, ficou mais de 30h sem energia entre a última segunda (18) e a última terça-feira (19).
Com uma gestão ambiental irresponsável, a capital paulista tem árvores plantadas em locais inadequados, espécies que são podadas de forma irregular, canteiros que são cimentados e até árvores que sofrem com infestações de fungos e cupins, que enfraquecem os troncos, deixando-os mais vulneráveis às quedas.
O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) acredita que, a longo prazo, o aumento da temperatura na Terra poderá provocar um impacto no volume das chuvas do Brasil. Isso significa que os temporais podem piorar na região metropolitana de São Paulo, se não forem adotadas mais políticas de sustentabilidade. Com informações da Folha de S. Paulo e da Veja.
Redação CicloVivo

Fonte: http://ciclovivo.com.br/noticia/ilhas-de-calor-podem-intensificar-temporais-em-sp

Brasileiro produz HQs sobre conscientização ambiental

 

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 Valença começou a incorporar a sustentabilidade em suas obras ao perceber que o tema não só atrai intelectuais e artistas, mas também tem chamado a atenção de toda a sociedade. | Foto: <a href='http://www.leovalenca.com/galeria.html' target='_blank'>Divulgação/Léo Valença</a></p>
Valença começou a incorporar a sustentabilidade em suas obras ao perceber que o tema não só atrai intelectuais e artistas, mas também tem chamado a atenção de toda a sociedade. | Foto:Divulgação/Léo Valença
O cartunista Léo Valença usa os quadrinhos para convencer a sociedade de que ainda há tempo para construir um mundo melhor. Por meio de histórias descontraídas, o ilustrador ensina para crianças e adultos a importância da preservação ambiental, para que todos possam contribuir para um planeta mais justo e sustentável.
Pinguins torrando no sol ou um urso polar solitário em cima de um pequeno cubo de gelo são alguns exemplos de personagens retratados nos quadrinhos de Léo Valença, que aposta em recursos irreverentes na hora de fazer com que as pessoas se preocupem mais com o planeta.
“Quando o assunto é sustentabilidade, o cartum pode atuar como um importante meio de conscientização, principalmente nos dias de hoje, em que precisamos de novos modelos de gestão de recursos naturais”, diz o ilustrador, que sonhava em seguir a profissão desde criança.
Valença começou a incorporar a sustentabilidade em suas obras ao perceber que o tema não só atrai intelectuais e artistas, mas também tem chamado a atenção de toda a sociedade. Sua primeira publicação de cunho ambientalista é “Aquecimento Global em Cartuns”, que foi produzida em 2010 e conta com a participação de vários desenhistas brasileiros dispostos a levantar a bandeira da sustentabilidade.
Agora, o ilustrador divulga o “Almanaque Ecológico do Lucas”, publicação criada para incentivar jovens e crianças a preservarem o meio ambiente. “As crianças são muito sensíveis ao que veem e podem disseminar boas ações de sustentabilidade, até com seus pais. As atitudes dos adultos de amanhã estão relacionadas com o que aprendem no presente”, conta o cartunista, que acredita em uma geração mais preocupada com o mundo nos próximos anos.
A obra pode ser comprada no site da editora PoD (Print On Demand), que imprime apenas os livros encomendados pelos leitores, a fim de evitar o desperdício de papel. Mesmo percebendo que a sustentabilidade “está em alta” nos dias de hoje, Léo Valença acredita que nem todo mundo tem acesso à educação ambiental.
“A educação é a chave para um futuro melhor. Precisamos incluir a disciplina ‘Consciência Ecológica’ nas nossas escolas, para todo mundo entender a importância do meio ambiente. Todo mundo tem que aprender a não jogar lixo na rua, a não desperdiçar água, a não desmatar, a não construir em áreas de mananciais, nem em beiras de morros e rios”, finaliza Léo Valença, que não mede esforços para desenhar um mundo melhor.
Por Gabriel Felix – Redação CicloVivo

Fonte: http://ciclovivo.com.br/noticia/brasileiro-produz-hqs-sobre-conscientizacao-ambiental

Número de baleias jubartes caçadas é maior do que o registrado, afirma estudo



Pesquisadores dos Estados Unidos e do Brasil acabam de publicar um artigo sobre o tamanho original da população de baleias jubarte no Atlântico Norte antes da caça, que quase exterminou esta e outras espécies dos oceanos do planeta.
O estudo envolveu a comparação genética das baleias do Atlântico Norte com três populações do Hemisfério Sul: Brasil, Gabão e Madagascar.
Por meio da diversidade genética, foi estimada uma população de cerca de 112.000 animais, número duas a três vezes maior do que o obtido através dos registros históricos analisados anteriormente. Isto significa que muito mais baleias foram caçadas e que a população existente no Atlântico Norte nos dias de hoje ainda seria uma pequena fração da original.

Fonte: http://www.baleiajubarte.org.br/noticia.php?id=218

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Japan suspends annual whale hunt in Australian waters

 

 
Anti-whaling groups are claiming victory after the Japanese whaling fleet suspended its annual hunt in the Southern Ocean.
It follows clashes between two anti-whaling boats and a Japanese factory ship, in what protesters claim were Australian waters.
The captain of one of the protest ships said it was the most dangerous confrontation he had witnessed.
Nick Bryant reports.
 

Curiosidade: Golfinho-liso-do-sul

Golfinho-liso-do-sul (Lissodelphis peronii), é um cetáceo que não possui barbatana dorsal, e quando está nadando rapidamente pode ser confundido com um pinguim, devido a sua coloração e também a forma graciosa de nadar. Encontrados em águas temperadas tropicais.

Southern right whale dolphin (Lissodelphis peronii), is a cetacean that has no dorsal fin, and when is swimming fast can be confused with a penguin because of its color and graceful way to swim. Found in tropical temperate waters.

Photo: Pablo Caceres Contreras



Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=530089030351282&set=a.495143527179166.134399.494718970554955&type=1&theater

Comunidade ribeirinha se fortalece com extrativismo vegetal

 

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 Um dos exemplos de vida sustentável vem da comunidade ribeirinha de Lago do Atininga, em que vivem 140 famílias. | Foto: <a href='http://www.flickr.com/photos/fotosdoacre/7175027265/sizes/m/in/photostream/' target='_blank'>Agência de Notícias do Acre/Flickr</a></p>
Um dos exemplos de vida sustentável vem da comunidade ribeirinha de Lago do Atininga, em que vivem 140 famílias. | Foto: Agência de Notícias do Acre/Flickr
É extensa a lista de produtos criados a partir das riquezas da floresta. Muitos remédios, perfumes e cosméticos fabricados no Brasil e no mundo dependem, inicialmente, das matérias-primas encontradas na Amazônia, quase sempre extraídas pelas comunidades locais, que dão exemplo de vida sustentável.
As pessoas que vivem às margens dos rios da Amazônia sempre extraíram materiais que podem ter os mais variados usos e aplicações. No entanto, a difusão do ideal de sustentabilidade fez prosperar as atividades econômicas das comunidades locais da floresta amazônica.
Um dos exemplos de vida sustentável vem da comunidade ribeirinha de Lago do Atininga, que fica no estado do Amazonas e reúne 140 famílias. Os moradores do local receberam energia elétrica há pouco tempo e têm a economia baseada no extrativismo, pautado no uso sustentável dos recursos da floresta.
Assim, os nativos realizam a extração da castanha e do látex, além da coleta do óleo de copaíba, que é muito utilizado para fabricar sabonetes, xampus, cremes e perfumes. Além disso, o cultivo da mandioca e a pesca artesanal são as atividades da rotina que garantem a alimentação sustentável dos ribeirinhos.
Embora a extração do óleo de copaíba seja tradicional entre os nativos, a atividade econômica foi potencializada nos últimos anos, quando a comunidade local criou uma cooperativa e firmou um contrato com uma indústria de cosméticos, a qual passou a comprar a matéria-prima das matas.
A extração do óleo de copaíba não causa danos ao meio ambiente se for realizada cuidadosamente – porém, o maior desafio é preservar estas árvores, que também são alvejadas pela exploração ilegal de madeira. Com informações do G1.
Redação CicloVivo

Fonte: http://ciclovivo.com.br/noticia/comunidade-ribeirinha-se-fortalece-com-extrativismo-vegetal