quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Os guarás-vermelhos de São Paulo: quando o errado dá certo


Fábio Olmos - 04/02/14

Cubatao 2013-11-21 392Guarás-vermelhos em plumagem reprodutiva nos manguezais de Cubatão observados em meados de novembro. Essa cena não era vista ali desde 1997. Fotos: Fábio Olmos
O guará-vermelho (Eudocimus ruber) é uma espécie vistosa e bandos com centenas destas aves vermelhas, especialmente durante a temporada reprodutiva, quando suas cores estão mais vivas, são uma visão memorável. É uma ave dos manguezais, onde forma ninhais, uma estratégia que pode funcionar contra predadores naturais, mas torna as aves vulneráveis à ação humana.
Eu tenho uma afeição especial por esta espécie porque estudei sua ecologia e biologia reprodutiva como parte de meu doutorado (quem tiver interesse pode ver os resultados aqui, aqui e aqui), projeto que foi apoiado pela Fundação Grupo Boticário.
Quando os europeus chegaram os guarás habitavam a costa do sudeste-sul do Brasil entre o Rio de Janeiro e Santa Catarina, o limite sul de sua distribuição chegando aos arredores de Florianópolis. Nessa época, os ninhais dessas aves eram pilhados pelos índios que utilizavam as penas das aves abatidas para sua arte plumária e colhiam ovos para consumo. Um desses grupos era o dos extintos Tupinambá que viviam em São Paulo e Rio de Janeiro (os Guarani que se dizem nativos da mesma região só chegaram ali recentemente) e fabricavam mantos com as penas vermelhas dos guarás.
Os Tupinambás se tornaram famosos não só por se aliarem aos franceses na luta contra os portugueses durante o século XVI mas também por terem sequestrado um artilheiro alemão chamado Hans Staden que legou um dos melhores relatos sobre esta cultura. E menciona um ninhal de guarás em uma ilha costeira fora do atual Guarujá.

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Como foi feito com os povos nativos, os guarás da Mata Atlântica foram gradualmente extintos pela caça e perturbação de seus ninhais. Os últimos guarás foram vistos em Santa Catarina em 1858 e o último ninhal paranaense registrado em 1820. Em São Paulo, após os registros feitos entre 1550 e 1560 por Hans Staden e o padre José de Anchieta, guarás só são mencionados no final do século XIX como ocorrendo sazonalmente no extremo sul do estado, parte do Lagamar de Iguape-Cananéia-Paranaguá. É possível que uma pequena população tenha restado na região por mais tempo, já que três guarás foram observados em 1977 na Baía de Antonina. Também é possível que estes fossem aves escapadas de cativeiro.
Extinção gradual
Guarás parecem ter durado mais no Rio de Janeiro, onde aves adultas e jovens eram vistas na Baía de Guanabara até 1952 e um exemplar (nativo ou fugido?) foi observado na Barra da Tijuca em 1979.
Essa extinção em prestações, com exemplares perdidos esparsos pela antiga área de distribuição é comum e torna muito difícil dizer quando uma espécie ou população efetivamente se extinguiu, especialmente para aquelas que podem viver décadas (guarás passam dos 30 anos), mas é válido afirmar que Eudocimus ruber foi extinto no sul-sudeste como uma espécie reprodutiva viável na década de 1950. Por sinal, quando manguezais começaram a ser seriamente destruídos pela industrialização, construção de portos e urbanização.
Várias aves em processo de extinção se tornam figurinhas cobiçadas por coletores de museu. Isso ajudou a eliminar os últimos exemplares da Great Auk, do Quelili e do Ivory-billed Woodpecker, entre outros. Na mesma veia, um coletor do Museu Nacional querendo uma figurinha rara abateu uma fêmea na Baixada de Guaratiba em 1985.
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Na década de 1950 os guarás estavam efetivamente extintos em São Paulo, especialmente na bem explorada região do porto de Santos e do polo industrial de Cubatão. Nessa época o Orquidário de Santos tinha, além de orquídeas, uma pequena coleção de animais que incluía aves aquáticas trazidas de outras partes do Brasil. Às vezes o Orquidário recebia mais aves do que cabiam nas suas instalações e estas eram simplesmente soltas sem que as penas das asas fossem cortadas. Em alguns casos, as aves eram deliberadamente libertadas nos manguezais da região.
Entre as aves soltas estavam guarás. Alguns parecem ter voado já em 1959 (e uma no museu da ESALQ foi morta em 1961), mas não há documentação detalhada. Registros escritos mostram que 18 casais de guarás provenientes do Maranhão foram liberados entre 1967 e 1969. Essas aves, possivelmente com a contribuição de outras solturas, são os fundadores da população de guarás-vermelhos que hoje recoloniza seus antigos domínios. Dados genéticos mostram que as aves do sudeste do Brasil não são diferenciadas em relação às do Pará e Maranhão, o que seria esperável caso fossem descendentes de uma população autóctone.
Durante décadas os guarás permaneceram nos manguezais de Santos e Cubatão, não exatamente o lugar mais seguro do mundo. Em 1986 a população era de 82 aves. Em 1994 havia 385. Em 1996 o número chegou a 505. Uma temporada reprodutiva fraca em 1997 elevou a população para 575.
Caçadores
No final desse ano, quando as aves construíam seus ninhos, caçadores mataram várias delas e provocaram o abandono do ninhal. O mesmo aconteceu quando elas tentaram nidificar em 1998 e dezenas de aves teriam sido mortas. As aves nunca mais voltaram a nidificar na região, mostrando o impacto que dois ou três fdps armados podem ter sobre uma espécie ameaçada e que conservação não pode depender só de educação (Cubatão havia adotado a ave como símbolo da sua "recuperação ambiental"...). Polícia, cadeia e cercas são fundamentais.
Este desastre aconteceu porque, embora ciente da situação e de pedidos para proteger o ninhal, o comando da Polícia Ambiental da região não deu a mínima e continuou com a tradição local de atuar só onde há asfalto. Situação que não melhorou desde então. Já redescobri mais espécies regionalmente extintas ou inéditas nos manguezais da região do que encontrei patrulhas policiais.
O vandalismo levou as aves a abandonar tentativas de nidificar em Santos e Cubatão. Felizmente, elas foram espertas o suficiente para buscar um novo lugar e em 2003 um novo ninhal se formou na Ilha Comprida, no litoral sul paulista. Este ninhal foi acompanhado pelo IBAMA de Iguape, o que garantiu uma proteção melhor, e várias temporadas reprodutivas bem sucedidas permitiram o aumento gradativo da população, que hoje usa boa parte do Lagamar.
A partir daí as aves passaram a visitar Santos e Cubatão apenas após a temporada reprodutiva, e também a aparecer no Paraná (onde dois também foram mortos para abastecerem um museu) e Santa Catarina. Ali, uma nova colônia reprodutiva foi encontrada na Baía de Babitonga, a mesma onde um refúgio de vida silvestre deveria ter sido criado faz tempo.
É possível que a população atual dos guarás da Mata Atlântica supere mil aves adultas e os registros mapeados no Wikiaves mostram como a espécie está recuperando sua área de distribuição.
Apesar dos pesares
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É uma história positiva apesar da inépcia de quem deveria colocar caçadores na cadeia e da má vontade de quem deveria proteger os manguezais. Afinal, o governo paulista deseja destruir os manguezais de Santos e Cubatão para dar lugar a terminais portuários (enquanto o Porto de Santos tem pelo menos 2 km de áreas ociosas ao longo do estuário), e o projeto de um parque estadual que protegeria a área "sumiu" da SMA-SP.
Em novembro de 2013 voltei a visitar os manguezais de Santos e Cubatão com meus amigos Robson Silva e Silva (autor do livro Guarás Vermelhos no Brasil e uma das autoridades na espécie) e Alexandre Grose, que está estudando os guarás catarinenses e é autor do guia das aves da Baia de Babitonga. Pela primeira vez, desde 1998, bandos de guarás em plumagem reprodutiva apareceram na região e dão sinais de que vão iniciar um ninhal.
Foi uma visão espetacular que me fez pensar que em qualquer país medianamente civilizado o espetáculo destas aves levaria não só à proteção imediata da área e que ao invés de paranthropus dando tiros nas aves teríamos turistas enchendo cartões de memória e gastando com serviços locais.
Apesar de tudo, estas aves estão fazendo sua parte para trazer de volta um dos grandes espetáculos naturais que os primeiros turistas, como Staden e Anchieta, puderam observar na região. Elas são resultado de uma translocação feita sem critérios, sem monitoramento, sem planejamento, sem nada. Mas que deu certo. Talvez, pela primeira vez em 15 anos, centenas de novos guarás farão seu primeiro voo na Baixada Santista. Talvez tenhamos outro desastre.
Falta saber se a Polícia Ambiental e a Secretaria de Meio Ambiente paulistas também farão sua parte.

Fonte: http://www.oeco.org.br/olhar-naturalista/27983-os-guaras-vermelhos-de-sao-paulo-quando-o-errado-da-certo

Guia explica Código Florestal para produtores rurais



O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – IMAFLORA e o Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF) somaram esforços para elaborar um Guia técnico sobre o Código Florestal, que explicasse, de forma clara, a complexidade da nova Lei, e sua aplicação para as propriedades rurais de qualquer tamanho, e localizadas em todas as regiões e biomas do Brasil.

O principal objetivo do “Guia para a aplicação da nova lei florestal em propriedades rurais” é colaborar para um melhor entendimento sobre a lei por parte dos produtores, bem como para sua efetiva implementação no campo.

Elaborado por Maria José Zakia, assessora do IPEF, e por Luis Fernando Guedes Pinto, engenheiro agrônomo do IMAFLORA, a publicação traz definições para aplicação da Lei, capítulos específicos sobre áreas de preservação permanente, reserva legal, regularização de imóveis rurais, cadastro ambiental rural e sobre a novidade do Código, os instrumentos econômicos para auxiliar a conservação em terras privadas, além de casos práticos.

O trabalho é rico em recursos gráficos, como ilustrações, diagramas e fotografias que ajudam a explicar cada tema abordado. Traz ainda “caixas” com explicações adicionais de conceitos tratados naquele capítulo, além da indicação de links para aprofundamento das informações técnicas, leis complementares, informações sobre agências ambientais, e casos práticos e reais da implantação da Lei em fazendas.

Os autores do Guia lembram, na apresentação do trabalho, que “o Brasil tem a agropecuária como um dos pilares de sua economia, constituindo-se um grande produtor e exportador de alimentos, de fibras e de bicombustíveis. Também se configura como um dos países com a maior cobertura florestal do planeta.,além de um dos maiores detentores de biodiversidade, provendo serviços ambientais, e dos maiores possuidores de reservas de água doce superficial e subterrânea do mundo” e lembra que 68% das florestas brasileiras estão em áreas particulares, fora da proteção pública. Daí a motivação para realizá-lo.

O “Guia para aplicação da nova lei florestal em propriedades rurais” pode ser baixado livremente nas páginas eletrônicas do IMAFLORA e do IPEF, em:

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Pesquisa brasileira investiga efeitos de agrotóxicos em abelhas


28 de Janeiro de 2014 • Atualizado às 15h17


Um terço de tudo que se come no mundo depende da polinização realizada pelas abelhas. É o que mostram dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ONU), que aponta as abelhas como agentes fundamentais na promoção da segurança alimentar e, de outro lado, destaca a preocupação com as evidências da diminuição da população desses polinizadores. Uma das causas dessa diminuição é o uso de pesticidas nas plantações.
A professora Roberta Nocelli, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Campus Araras, pesquisa a influência dos defensivos agrícolas sobre as abelhas e o consequente impacto na produção de alimentos. Um dos objetivos do trabalho é o mapeamento dos apiários em todo o território brasileiro visando compreender a interação entre apicultores e agricultores e promover o cultivo saudável de abelhas e alimentos.
O Brasil é o país com a maior diversidade de abelhas, com mais de duas mil espécies nativas já descritas. É, portanto, um importante espaço para pesquisar o impacto dos agrotóxicos nas abelhas e os consequentes efeitos nos serviços que elas prestam. Nocelli explica que a contaminação das abelhas pelos defensivos agrícolas ocorre basicamente de duas formas: pelo contato direto, enquanto as abelhas voam entre as partículas de defensivos; e pela ingestão de pólen e néctar das flores contaminadas. A segunda forma é a mais nociva para os insetos, pois as moléculas são levadas para dentro das colônias, contaminando todas as abelhas.
Os estudos investigam as interações das substâncias presentes nos agrotóxicos em vários órgãos das abelhas, como, por exemplo, no cérebro desses animais. Um dos efeitos observados é a perda da orientação, o que faz com que muitas abelhas não retornem às colmeias e morram. "A partir do momento em que entendemos os efeitos de cada substância utilizada nas plantações, podemos orientar os fabricantes dos defensivos para a utilização de moléculas menos tóxicas para as abelhas, e também para formas de aplicação menos danosas.
Nocelli integra uma rede de pesquisa formada por pesquisadores dos campi Araras e Sorocaba da UFSCar e da Unesp de Rio Claro, que desde os anos 1970 estuda a ecotoxicologia de abelhas. O grupo tem participado ativamente na construção da Iniciativa Internacional para a Conservação e Uso Sustentável de Polinizadores, coordenada pela FAO, e de outras iniciativas internacionais relacionadas ao conhecimento sobre os efeitos dos pesticidas sobre os polinizadores e alternativas de proteção desses insetos, manutenção da biodiversidade e da segurança alimentar.
Nocelli pretende também criar uma central de acidentes com abelhas, para que produtores que tiverem notícias de mortes de abelhas possam relatar os episódios e, assim, contribuir para o monitoramento. Por enquanto, quem quiser oferecer informações pode entrar em contato com a pesquisadora através dos telefones (19) 3593–2595 ou (19) 99884–4530, ou pelo email roberta@cca.ufscar.br.
Com informações da UFScar.

Fonte: http://ciclovivo.com.br/noticia/pesquisa-brasileira-investiga-efeitos-de-agrotoxicos-em-abelhas

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Gavião de dois metros e espécie rara é encontrado baleado no TO


É a primeira vez que um animal desta espécie é encontrado na região.
A ave foi socorrida por biólogos, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.



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O gavião real tinha quase dois metros de envergadura (Foto: Cetas/divulgação)O gavião real tinha quase dois metros de envergadura (Foto: Cetas/Divulgação)
Um gavião real de quase dois metros de envergadura (distância entre as pontas das asas abertas) foi encontrado baleado no município de Babaçulândia, a 446 km de Palmas. A ave foi encontrada pelo biólogo Raony de Macedo Alencar, há cerca de dez dias, quando ele monitorava macacos em uma mata de difícil acesso na região. A ave foi resgatada e tratada, mas não resistiu aos ferimentos de bala e morreu alguns dias depois.
Alencar relata que descia uma trilha de acesso à uma mata quando visualizou a ave, que também é conhecida como harpia, pousada em uma árvore. Ele conta que estranhou a falta de reação do animal à sua presença. "Eu fui tirando fotos dela e me aproximando devagar e percebi que ela estava machucada, pois não tentou fugir ou atacar", detalha. Segundo Alencar, ele estava a três metros da ave quando percebeu que ela havia sido baleada e chamou a equipe do Naturatins, órgão responsável pelo meio ambiente no Tocantins.
A harpia foi levada para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Araguaína, na região norte do estado. De acordo com a administradora do Cetas, Caroline Duks, a ave levou três tiros e apresentava infecções graves. "Nós tentamos tratar os ferimentos, mas os locais já estavam bem infeccionados e ela não sobreviveu", explica. De acordo com Caroline, a necropsia apontou que o gavião real estava ferido há pelo menos sete dias quando foi encontrado pelo biólogo.
De acordo com Alencar, este é o primeiro registro de um animal desta espécie na região leste do Tocantins. Segundo ele, o espécime era uma fêmea adulta de aproximadamente 10 anos de idade com 1,96 metro de envergadura. Segundo Caroline, caçar animais silvestres é um crime sujeito à prisão. "Se a pessoa que atirou no gavião fosse pega em flagrante, ela seria presa e poderia pegar até três anos de prisão além de ter que pagar uma multa de até R$ 5 mil.
O raio-x do gavião real aponta um dos ferimentos causados pelo tiros  (Foto: Cetas/divulgação)O raio-x do gavião real aponta um dos ferimentos causados pelo tiros, uma bala alojada na perna do animal (Foto: Cetas/Divulgação)
Fonte: http://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2014/02/gaviao-de-dois-metros-e-especie-rara-e-encontrado-baleado-no-norte-do.html

How the Western Black Rhino Went Extinct

By John R. Platt 


western black rhino m brunelOh what a difference a century makes. At the beginning of the 20th century, an estimated one million black rhinoceroses from four different subspecies roamed the savannas of Africa. By 2001 that number had dropped to about 2,300 black rhinos and just three subspecies. This is the tale of how we lost one of those subspecies, the western black rhinoceros (Diceros bicornis longipes). It is a story of greed, indifference, hope and despair.
Historically, the western black rhino had a fairly large range across central and western Africa, with populations in modern-day Cameroon, Chad, the Central African Republic, Sudan and South Sudan, making it the northernmost African rhino subspecies. Although it had lived in these countries for centuries, the western black—like most rhinos—found itself to be incompatible with the 20th century. Widespread sports hunting in the first decades of the century quickly decimated rhino populations. Industrial agriculture came next, clearing many historic rhino habitats for fields and settlements. Farmers and ranchers at the time viewed large herbivores such as rhinos as pests and dangers to their crops. The slaughter continued.
The final nail in the rhinos’ coffin began in the early 1950s, when Mao Zedong promoted so-called traditional Chinese medicine (TCM) as a tool for unifying the country he had recently come to lead. Even though Chairman Mao himself did not believe in TCM, he called for its use over Western medicine. Among the many “cures” touted by China’s “New Medicine” was powdered rhino horn, which was said to cure everything from fevers to cancer. (This last claim is a fairly recent development.)
That’s when poachers descended on Africa. Between 1960 and 1995 an astonishing 98 percent of black rhinos were killed by poachers, either to feed the new and voracious demand for TCM or, to a lesser extent, for horns to be used as ceremonial knife handles in the Middle East. All rhinos suffered; the western black rhino, already weakened by decades of overhunting, was the hardest hit.
By 1980 the western black rhino’s range had shrunk to just two countries: Cameroon, which held 110 of the animals, and Chad, where just 25 remained. Chad’s western blacks were wiped out within 10 years. Cameroon’s held on a bit longer. The country held an estimated 50 western black rhinos in 1991, a number that dropped to 35 just a year later. By 1997 the population had fallen to an estimated 10 final rhinos.
Even that count doesn’t fully convey the precarious nature of the subspecies at that point. The 10 last western black rhinos were scattered across 25,000 square kilometers of northern Cameroon. Four of them lived in fairly close proximity to one another. The remaining six lived in isolation, with an average of 60 kilometers between each animal and little, if any, hope to find one another and start breeding.
western black rhino skullIn 1999 the World Wide Fund for Nature (WWF) published a report called “African Rhino: Status Survey and Conservation Action Plan.” The authors wrote of the almost insurmountable challenge in preserving these final 10 western black rhinos. “Demographically and genetically the western black rhino seems doomed unless the discrete populations are captured and concentrated in one area of its range. Under current conditions, however, this would probably make the remaining animals more vulnerable to poaching.” The act of locating, catching and collecting these rhinos in one place would also be expensive and logistically next to impossible, as Cameroon at the time was plagued by corruption, civil unrest, currency devaluation and mistrust of the West. Even if that feat had been accomplished, the land in northern Cameroon was poorly suited for rhinos and provided very little food. Providing safe habitat for just 20 rhinos would require a fenced-in sanctuary 400 square kilometers in size. The authors wrote that the “lack of local conservation capacity and government commitment” would make consolidating the last rhinos difficult and concluded that the future of the subspecies was bleak.
They were right. Another WWF survey in 2001 found just five surviving western black rhinos, with the possibility of three additional, unconfirmed animals. That was the last time scientists or conservationists ever saw a western black rhino.
Even though things were grim at that point, a brief blip of hope occurred in 2004. That year, the nongovernmental organization Symbiose found evidence that as many as 31 western black rhinos still lived in Cameroon. That evidence, though, was quickly discredited. It turned out that trackers had faked rhino footprints in order to save their jobs.
Symbiose returned to Cameroon in 2006, conducing 46 field surveys over the course of six months. WWF and the Cameroon Ministry of Forestry and Wildlife also conducted a survey at the same time. The work wasn’t easy. Roads were poorly maintained or nonexistent. Access to vehicles was expensive and unreliable. Armed gangs attacked travelers on many roads. Wherever the researchers traveled they saw evidence of illegal hunting for a wide range of species. Snares were present everywhere, waterholes had been poisoned and the teams frequently found wounded or trapped animals. Even though the area was classified as a national park, they found that poaching pressure in the region was 2.22 times higher than in official trophy-hunting zones.
Tragically, although the research team heard several anecdotes about lone rhinos living in the area, none of the surveys found any evidence that the western black rhino actually still existed. A paper published in Pachyderm that year concluded that the last members of the subspecies had been poached in or around 2003 and that the western black rhino was probably extinct.
People kept looking, but no rhinos were ever found. In 2011, with no sightings in a decade, the International Union for Conservation of Nature formally declared that thewestern black rhino had gone extinct.
Unfortunately, the western black rhino will not be the last rhino species or subspecies that we lose. The Javan rhino subspecies in Vietnam was also declared extinct in 2011. The northern white rhino is down to its last seven, non-breeding, aged adults. The main Javan rhino species is down to fewer than 50 individuals and the Sumatran rhino has fewer than 200. The remaining three black rhino subspecies as a whole are considered critically endangered (one subspecies is listed as “vulnerable to extinction,” although its population is still quite low). The Indian one-horned rhino and the southern white rhino both enjoy healthier populations, but with poaching levels seemingly increasing almost every day, even they may not last long.
Will we learn from the lessons of the western black rhino’s extinction? I think it’s possible. Although the species disappeared a decade ago, many people are still just learning that it is gone. In the past week alone dozens, if not hundreds, of media outlets have run articles proclaiming that the western black rhino has gone extinct. Almost all of them mistakenly reported that the extinction happened just this past week—a burst of coverage set off by CNN republishing its two-year-old story with an“updated” date of November 6, 2013. This unleashed a veritable tsunami of sadness for the western black rhino on social media. In some ways it’s good to see so many people express horror that the western black rhino has gone extinct. Maybe, just maybe, that will also lead to people caring about the rhino species that remain, and to take action before they, too, are gone.
Photos: A western black rhino photographed by M. Brunel in 1977 in Bouba Ndjida National Park, Cameroon, from Pachyderm: The Journal of the African Elephant, African Rhino and Asian Rhino Specialist Groups. Used under Creative Commons license. A western black rhino skull from an animal shot by a sportsman in 1911. Public domain, via Wikimedia Commons

Fonte: http://blogs.scientificamerican.com/extinction-countdown/2013/11/13/western-black-rhino-extinct/

O processo que tornou o Cabo Orange o mais novo Sítio RAMSAR do país

Ricardo Motta Pires* - 30/01/14

ZonaO mais novo sítio Ramsar do país visto de cima. Foto: Marcus Cunha.
Em meados de 2005, as pesquisas biológicas para a elaboração do Plano de Manejo do Parque Nacional do Cabo Orange (PNCO) solidificaram a crença da equipe gestora na época de que o ecossistema protegido por esta UC é único e muito bem preservado: trata-se de um lugar onde ocorre contato dos campos amazônicos (246 mil hectares) com o mar (200 mil hectares), através de uma faixa de mangue (65 mil hectares) que os liga por todos os 200 km de extensão do litoral protegido, localizado em um dos grandes estoques pesqueiros (talvez o último) do norte do país.
Mas, naquela época não bastava saber de tudo isso, o país não tinha consolidado uma política voltada para uma especial proteção às áreas úmida de grande importância e, além disso, pairava entre os tomadores de decisões no governo, a frase que murchou as expectativas dos gestores do Parque: “Se tudo for prioridade para a proteção, nada será prioridade na prática”.
No ano de 2010 as coisas mudaram com a chegada de uma nova leva de servidores, sangue novo, e assim retomamos a ideia de candidatarmos o Parque à designação de sítio RAMSAR. Primeiramente, para entender um pouco mais, conversamos com outras unidades que já haviam passado pelo processo, como a equipe da RPPN Fazenda Rio Negro, no Mato Grosso do Sul, que forneceu boas orientações, pois não havia qualquer referência (ponto focal) sobre a Convenção no ICMBio.
Mesmo que o ICMBio não possuísse um foco ativo na convenção, o MMA já havia amadurecido muito em relação ao tema e em novembro de 2010 conversamos com a Ana Paula Prates (ponto focal do MMA na Convenção à época) que nos orientou quanto aos trâmites e iniciamos uma conversa diretamente com o ponto focal técnico. Logo em dezembro tentamos mobilizar novamente outras duas UCs do Estado do Amapá para a ideia (ESEC Maracá-Jipióca e REBIO do Lago Piratuba); pensávamos em criar um só sítio envolvendo as 3 UCs, ou três sítios diferentes, seus gestores também demonstraram interesse na designação, entretanto, não havia pessoal suficiente para levar a cabo tal empreendimento.
Como as primeiras orientações advindas do MMA foram motivadoras, iniciamos o preenchimento da ficha RAMSAR, a qual é bastante minuciosa e requer muita atenção. Oficializamos nosso interesse perante a presidência do ICMBio e interagimos com o ponto focal do órgão para ir afinando o documento. Com a ficha preenchida, entre dezembro de 2010 e junho de 2012, houve uma demora nos trâmites do processo causados não só pela equipe ter sido engolida pelas demandas rotineiras da UC, mas por conta do processo de criação e inicio do funcionamento do Comitê Nacional de Zonas Úmidas (CNZU), órgão colegiado do Ministério de Meio Ambiente (MMA) a quem compete subsidiar a implementação nacional da Convenção de RAMSAR sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional.
Sobrevôo 24-05 Marcus Cunha 047Foto: Marcus Cunha.
Passos decisivos
Foi no final deste período que houve a publicação da Recomendação CNZU nº 05/2012, que dispõe sobre critérios para a designação de sítios RAMSAR e elenca Áreas Protegidas a serem indicadas como potenciais Sítios RAMSAR, em que o Parque foi elencado como o 5º de 20 UCs indicadas dentre os ambientes marinhos e zonas costeiras, tendo somado 24 dos 26 pontos possíveis nos critérios indicados pelo Anexo A da recomendação.
Ficamos animados, pois sentimos que este se tratava de um momento definitivo da nossa caminhada, e mais, as duas UCs supramencionadas, ESEC Maracá-Jipióca e REBIO do Lago Piratuba, também entraram na lista respectivamente em 7º e 10º lugares somando 23 e 22 dos critérios. Um novo momento se inicia, com uma melhor fluidez no processo de designação e imediatamente reforçamos nosso interesse, e na reunião seguinte, em Novembro de 2012, veio o posicionamento do CNZU aprovando o Parque como candidato brasileiro à designação como sítio RAMSAR.
Quase um ano depois, finalmente, em 24 de outubro de 2013, o secretariado da The Ramsar Convention on Wetlands comunicou oficialmente que o governo brasileiro anunciou a designação do Parque Nacional do Cabo Orange, como sítio RAMSAR, que para nós, equipe gestora, foi motivo de grande satisfação, orgulho e ainda a sensação de vitória, no final de um longo processo, de aproximadamente 8 anos, desde a primeira tentativa, iniciada ainda no ano de 2005.
Ser designado um sítio RAMSAR, não traz em si a solução de todos os problemas da UC, mas nos qualifica e certamente facilitará na busca por apoio. Pelo Comitê Nacional de Zonas Úmidas, essa designação deve conferir a estas áreas, prioridade na implementação de políticas governamentais e reconhecimento público, tanto nacional, como internacionalmente, o que contribui para fortalecer a sua proteção.
Ainda, seguindo a política do ICMBio, de aproximação e valorização de nossas UCs, perante, tanto aos nossos usuários imediatos (populações tradicionais), como também perante as populações urbanas, pretendemos “contaminar” os moradores do entorno do PNCO, com o orgulho que estamos sentindo. Temos consciência do desconhecimento, por parte da população em geral, do que significa ser um sítio RAMSAR. A nossa intenção é divulgar o máximo possível, não só que o PNCO possui esta certificação, mas também, o que é um sítio RAMSAR, deixando claro que o Parque Nacional do Cabo Orange é um estratégico e belíssimo Patrimônio Ambiental do povo brasileiro.

*Ricardo Motta Pires é analista ambiental do ICMBio e chefe do Parque Parque Nacional do Cabo Orange.

Fonte: http://www.oeco.org.br/convidados/27969-o-processo-que-tornou-o-cabo-orange-o-mais-novo-sitio-ramsar-do-pais

Golfinhos são dez vezes mais potentes que atletas humanos

Posted: janeiro 17th, 2014
golfinhos-sao-dez-vezes-mais-potentes-que-atletas-humanos-discovery-esportes
© Sbork | Wikimedia Commons
Um novo estudo, publicado na última edição da revista Journal of Experimental Biology, concluiu que os golfinhos geram regularmente dez vezes mais energia que atletas humanos de ponta.
A descoberta ajuda a explicar por que os golfinhos parecem nadar com tanta facilidade ao lado de barcos motorizados. Inicialmente, os cientistas achavam que os golfinhos se beneficiavam de alguma misteriosa vantagem hidrodinâmica, mas agora sabemos a verdade: eles são superfortes!
O autor do estudo é um pesquisador talentoso, Frank Fish (sim, é esse mesmo o nome dele!), diretor do Laboratório de Vida Líquida da Universidade de West Chester, onde também é professor de biologia.
Antes de realizar o estudo, Fish e seus colegas tinham um objetivo claro em mente. “Vamos ver quanta energia um golfinho é capaz de produzir”, descreve em um release. “Para isso, usei alguns modelos hidrodinâmicos que reproduziam os movimentos da cauda, e descobri que os golfinhos produziam uma imensa quantidade de energia”, acrescenta.
Para comprovar a teoria, Fish e seus colegas recorreram a uma solução surpreendente: aplicaram aos golfinhos uma técnica usada para medir a força muscular dos atletas olímpicos.
Para isso, Fish e seus colegas, Timothy Wei, Terrie Williams e Paul Williams, estudaram um casal de golfinhos chamado Primo e Puka. Com um tanque de mergulho de ar comprimido e uma mangueira, os pesquisadores produziram uma cortina de bolhas no laboratório da universidade.
Filmando os cetáceos enquanto nadavam ao longo da cortina de bolhas, a equipe observou nitidamente os vórtices criados pelo movimento das caudas, demarcando potentes jatos de água. Cálculos baseados nas medições desses vórtices revelaram a quantidade de energia produzida.
“Estávamos em uma cabine de observação submersa. Era fria e úmida, mas ficamos empolgados e esquecemos tudo quando vimos os animais passando e os vórtices se formando”, conta Fish.
Dentro dos limites da área do experimento, os golfinhos nadaram a uma velocidade de 3,4 metros por segundo, gerando 549 watts de potência. No ponto máximo de aceleração, produziram incríveis 5.400 W, gerando dez vezes mais energia do que os atletas humanos mais bem preparados.
Futuramente, Fish pretende empregar a nova técnica para medir a potência gerada por animais maiores.
Por Jennifer Viegas

Fonte: http://esportes.discoverybrasil.uol.com.br/golfinhos-sao-dez-vezes-mais-potentes-que-atletas-humanos/