domingo, 9 de novembro de 2014

Censo de botos em rios do PA quer medir impacto de construção de barragens

  • Adriano Gambarini/WWF
    Boto-rosa captura peixe no rio Tapajós, na região de Santarém, no Pará; animal foi fotografado durante expedição do Instituto Mamirauá e da ONG WWF
    Boto-rosa captura peixe no rio Tapajós, na região de Santarém, no Pará; animal foi fotografado durante expedição do Instituto Mamirauá e da ONG WWF
Profissionais do Instituto Mamirauá e da ONG WWF (World Wide Fund) percorreram 577 km na Bacia do Tapajós, no Pará, para documentar a distribuição de estimar a abundância de botos na região.
Resultados preliminares foram divulgados pelas instituições, que avistaram ao longo do percurso 160 indivíduos de tucuxi (Sotalia fluviatilis), conhecidos como boto-cinza, e 112 indivíduos de boto vermelho (Inia geoffrensis).
O resultado final poderá ajudar a entender e acompanhar a saúde dos rios na região, inclusive em relação a riscos frente a alterações ambientais, como desmatamento e construção de hidrelétricas.
"Os resultados desta primeira expedição na bacia do Tapajós devem servir também para melhor reflexão dos governos, dos cientistas, das comunidades e dos povos indígenas locais sobre os potenciais impactos de barragens nessa bacia hidrográfica específica, e na Amazônia como um todo. Em uma das mais importantes regiões naturais do mundo, o que se espera é que o planejamento hidrelétrico seja ótimo, responsável do ponto de vista ecológico e democrático, com ampla e transparente discussão e respeito aos direitos das comunidades locais e dos povos indígenas", afirma Cláudio Maretti, líder da Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2014/09/04/censo-de-botos-e-realizado-na-bacia-do-tapajos-no-para.htm

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Relatório do Futuro Climático da Amazônia.

Baixe o pdf do relatório do pesquisador do INPA e do INPE Antônio Donato Nobre.
http://www.socioambiental.org/sites/blog.socioambiental.org/files/futuro-climatico-da-amazonia.pdf

TED TALK: https://www.ted.com/talks/lang/en/antonio_donato_nobre_the_magic_of_the_amazon_a_river_that_flows_invisibly_all_around_us

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Rara filmagem flagra baleia-jubarte dormindo


'A baleia estava completamente em paz na água', disse Kieran Bown.
Bown e sua equipe registraram a cena perto das Ilhas Turks e Caicos.

Do G1, em São Paulo
O fotógrafo subaquático Kieran Bown flagrou uma baleia-jubarte dormindo enquanto realizava uma filmagem perto das Ilhas Turks e Caicos, no Caribe. Assista ao vídeo.
Baleia-jubarte foi filmada dormindo (Foto: Reprodução/YouTube/Panga MX)Baleia-jubarte foi filmada dormindo (Foto: Reprodução/YouTube/Panga MX)
A vídeo é um trecho de uma gravação de 20 minutos que Bown e sua equipe de produção da Panga MX realizaram durante um projeto de pesquisa.
"A baleia estava completamente em paz na água", disse Bown, destacando que as baleias ficam na vertical durante o sono.
Mesmo dormindo, as baleias "desligam" apenas metade do seu cérebro, já que precisam vir à superfície para respirar de vez em quando.
Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=jOamfKwr6aU
Fonte: http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2014/10/rara-filmagem-flagra-baleia-jubarte-dormindo.html

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Brasília, olhe para o mar e o proteja da degradação


José Truda Palazzo, Jr. - 29/09/14

litoral-bahia-abrolhosBaleia Jubarte no Parque Nacional de Abrolhos. Foto: João Ramos/Bahiatursa
Com cerca de 8 mil km de costa e uma vasta área marinha jurisdicional correspondente, o Brasil está entre os países com maior responsabilidade global na conservação dos oceanos. Fomos abençoados com uma enorme riqueza e diversidade de vida em nosso mar, graças à extensão dessa jurisdição nacional. Entretanto, nos últimos dois governos essa riqueza foi simplesmente ignorada, quando não se adotaram políticas fortemente daninhas à sua conservação e uso sustentável. Ao nos perguntarmos o que poderia melhorar na gestão ambiental em um próximo governo federal, seja lá de quem for, o mar aparece como um dos maiores passivos em (falta de) política adequada a serem resolvidos.
Existem duas dimensões para tratar do assunto: nosso imenso passivo doméstico e a retomada de nossas obrigações no plano internacional.
O Mar do Brasil: Mais do que um Vazio a Minerar
A visão estreita da atual administração federal enxerga o mar somente como fonte de petróleo, outros minerais e de pescado. Ambos, evidentemente, produtos importantes de uma gestão esclarecida e multifacetada do mar jurisdicional. Mas até esses usos estão sendo mal geridos.
Os planos de contingência para emergências de petróleo no mar estão empacados na Agência Nacional do Petróleo, sem efetiva implementação ou preparação a campo para quando uma emergência de fato ocorrer.Essa falta de preparo resultará, inevitavelmente, em perda de vidas humanas e prejuízos vultosos ao meio ambiente. Faz-se necessário tirar esses planos da gaveta e fazer com que o crescimento da extração de petróleo no mar brasileiro seja acompanhada da adoção das mais modernas e eficazes medidas de prevenção e de preparação para acidentes disponíveis no planeta.
O Brasil é um país em que a pesca nunca foi particularmente rica, já que estamos em uma costa oriental continental com correntes quentes e menos produtivas do que, por exemplo, as da costa do Pacífico da América do Sul. Pelo fato de ser exercida não sobre poucas espécies abundantes, mas sim sobre muitas espécies de populações moderadas, a pesca por aqui exigiria cuidado constante para não destruir a base dos recursos pesqueiros e desequilibrar o ambiente marinho de maneira irreversível. Infelizmente, a política do atual governo é uma de vende-pátria, de se permitir que embarcações estrangeiras atuem de maneira indiscriminada na nossa costa através de "arrendamentos" fajutos, e de se omitir totalmente na fiscalização da atividade de pesca industrial em alto-mar. Estoque após estoque de pescado brasileiro vem sendo "minerado", ou seja, destruído como recurso, para gerar lucros de curto prazo enquanto o país perde no longo prazo. Isso faz mal ao país e prejudica os empresários de boa-fé que respeitam as leis, mas são desestimulados pela concorrência da pesca ilegal sem qualquer controle. Isso tem de mudar urgentemente. A adoção de medidas concretas de fiscalização pesqueira no mar, com embarcações adequadas e a obrigatoriedade do monitoramento da pesca industrial por satélite; a obrigação de adotar medidas para reduzir e eliminar a captura dita "incidental" de espécies ameaçadas, como tartarugas e aves, e do desperdício na captura de espécies não-comercializáveis (by-catch); a revisão e vedação de novos "arrendamentos" de pesqueiros estrangeiros de alto potencial destrutivo; a proibição IMEDIATA da exportação de barbatanas de tubarão e a proibição extensiva da pesca desses predadores de topo de cadeia já muito ameaçados; e a retomada do monitoramento de desembarques e pesquisas de longo prazo para determinar cotas sustentáveis de pesca são medidas essenciais a serem adotadas por um governo sério e comprometido com a conservação dos nossos recursos pesqueiros.
Além desses setores, e graças à permissividade com a destruição do nosso patrimônio natural marinho, o Brasil vem perdendo milhões no que poderia ser a geração de emprego e renda com o Ecoturismo marinho, que inclui a visitação de áreas protegidas, observação de espécies-bandeira e mergulho recreativo.
"A importância das baleias e outras espécies carismáticas não é apenas a do seu papel ecológico strictu senso."
A importância das baleias e outras espécies carismáticas não é apenas a do seu papel ecológico strictu senso. No mundo inteiro, estudos recentes indicam que o turismo de observação de baleias gera mais de dois bilhões de dólares/ano para as comunidades e regiões onde é praticado, o que gera mais incentivos econômicos e sociais para a preservação das baleias e seu ambiente. Em nosso país, que é apontado como um dos que tem o maior potencial para o crescimento da atividade, não existe qualquer incentivo para seu desenvolvimento; pelo contrário, a incompetência e omissão do governo já fez, por exemplo, com que o turismo de observação de baleias-francas em Santa Catarina fosse proibido pela Justiça, por absoluta falta de fiscalização e controle da atividade, isso em uma Área de Proteção Ambiental federal criada justamente para estimular esse tipo de atividade. Um programa específico de desenvolvimento e promoção do turismo de observação de baleias e da fauna marinha deve ser desenvolvido, visando colocar o Brasil no mapa mundial dos países que se beneficiam da preservação desses animais através desse uso não-extrativo. As entidades e grupos comunitários locais interessados na atividade devem receber capacitação, incentivo e suporte do governo federal para seu desenvolvimento.
Com corais endêmicos, ilhas oceânicas e águas ainda límpidas em muitos locais, o Brasil poderia estar entre os melhores destinos de mergulho do planeta. A atividade, entretanto, se ressente da degradação continuada dos ambientes marinhos; mesmo em Fernando de Noronha, que governos bem anteriores ao atual transformaram primeiro em Parque Nacional, em 1988, e depois em Patrimônio Mundial, em 2001, boa parte dos peixes que atraem os visitantes estão desaparecendo, vítimas da pesca predatória já mencionada. Nossas populações de tubarões, predadores essenciais ao equilíbrio ambiental marinho e que contribuem para populações saudáveis de outros peixes, e que geram mais de 300 milhões de dólares/ano em atividades de mergulho para sua observação, estão sendo exterminados aos milhões para atender a uma pequena fração da indústria pesqueira que exporta suas barbatanas para a China. É preciso implementar uma política de valorização do Mergulho Recreativo como gerador de emprego e renda e vetor de conscientização ambiental sobre os oceanos, identificando áreas prioritárias para a atividade, protegendo-as e estimulando essa atividade através de incentivos específicos, inclusive a criação de mais Parques Nacionais Marinhos onde os usos não-extrativos sejam estimulados.
Todas essas atividades de uso do meio marinho precisam, de maneira vital, de um ordenamento, que inclua a criação e manutenção adequada de Áreas Marinhas Protegidas. Estas são espaços essenciais do ambiente marinho que servem como criadouros de espécies de peixes de interesse comercial, que ao se reproduzir ali em segurança povoam áreas adjacentes e contribuem para a sustentabilidade da pesca, e mais ainda, protegem e estimulam usos não-extrativos de enorme rentabilidade e geração de renda para as comunidades adjacentes, como o Ecoturismo e o Mergulho já mencionados. O que faz o atual governo, entretanto? Ignora completamente a necessidade imperiosa de termos essas áreas protegidas para benefício do país. Não apenas estão engavetadas no Palácio do Planalto as propostas de criação de novas áreas protegidas, apontadas como prioritárias em documentos e programas do próprio governo, mas ainda se deixa as poucas áreas protegidas existentes morrer à míngua, sem recursos e sem pessoal, abandonados e incapazes de fazer nem fiscalização adequada para proteger seus tesouros ambientais, nem promoção de seu potencial de geração de renda através de visitação. OParque Nacional Marinho dos Abrolhos é talvez o caso mais escandaloso dessa visão míope e mesquinha, em que não apenas essa Unidade de Conservação que abriga os mais importantes recifes de coral do Atlântico Sul está totalmente abandonada, mas ainda seu projeto de ampliação está sendo boicotado por uma condução tosca e de má vontade que não dialoga com os atores locais e não chega nunca a um consenso que permita assegurar tanto a conservação daquela região inestimável como a manutenção das atividades econômicas essenciais de seu entorno.
"Os governos do PT praticam mais uma vez uma política de fachada no tocante às áreas marinhas protegidas, fingindo fazer o que não só não fazem como ainda promovem o retrocesso."
Os governos do PT praticam mais uma vez uma política de fachada no tocante às áreas marinhas protegidas, fingindo fazer o que não só não fazem como ainda promovem o retrocesso. Durante a gestão deles mesmos, o Brasil comprometeu-se junto à Convenção da Diversidade Biológica com as chamadas Metas de Aichi, em que ao menos 10% das áreas marinhas nacionais devem ser protegidas até 2020. Estamos MUITO longe disso, e retrocedendo à medida que se permite que os parques e reservas marinhos fiquem no abandono.
Além de retomar imediatamente o processo de ampliação do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, e dotar as demais áreas protegidas existentes de fiscalização e estrutura de visitação e pesquisa adequadas conforme sua categoria de manejo, é preciso retomar também a criação de áreas marinhas protegidas, em especial de proteção integral, naqueles espaços já identificados como prioritários para a conservação da biodiversidade, avançando rumo ao cumprimento das Metas de Aichi até 2020. No mesmo rumo, devem ser retomados os incentivos à iniciativa privada para que assumam as atividades de visitação organizada das Unidades de Conservação marinhas, contribuindo diretamente para sua conservação e para a melhoria da qualidade de vida das populações de seu entorno.
Um Oceano de Responsabilidades: Retomar o Protagonismo Brasileiro nos Tratados Internacionais
De maneira crescente, a temática ambiental vem ganhando mecanismos internacionais onde as grandes questões são debatidas e encaminhadas com vistas a ações comuns para assegurar um futuro para o planeta e para a humanidade. De tratados pontuais como a Comissão Internacional da Baleia, de 1946, a foros de grande abrangência como a Convenção da Diversidade Biológica, de 1992, oportunidades se abrem para que os interesses efetivos do Brasil em promover a sustentabilidade e beneficiar-se, social e economicamente, de seu patrimônio natural marinho de maneira inteligente e contando com apoio internacional para suas políticas de gestão ambiental, recebendo, ao adotar posturas firmes e modernas e aliar-se a países na vanguarda das questões ambientais, oportunidades de financiamento, de transferência de tecnologia e de compartilhamento de mercados sustentáveis.
O que se vê na "diplomacia", se assim se pode chamar o atual estado de coisas do regime LuLLa Roussef, é que o Ministério de Relações Exteriores foi tomado de assalto por uma visão retrógrada e ignorante, na qual as questões ambientais tratadas nos foros internacionais são vistas como meras "barreiras não-tarifárias" passíveis de atrapalhar o comércio internacional dos produtos brasileiros. Nada mais equivocado! É justamente a adoção de uma postura proativa, vanguardista que pode nos garantir visibilidade, espaço e mercados na Economia global do século XXI.
Mesmo em foros nos quais o Brasil tinha grande tradição pró-conservação, como na Comissão Internacional da Baleia, uma sucessão atroz de erros e descaso está fazendo com que percamos nosso papel de liderança, o que ameaça a defesa das baleias em todo o Hemisfério Sul.
O boicote velado às negociações sobre mudanças climáticas, mesmo com os prejuízos já muito evidentes ao país, contradiz o discurso de solidariedade com os países em desenvolvimento, já que condena aos efeitos da subida dos oceanos, destruição dos recifes de coral e recrudescimento das tempestades extremas principalmente os pequenos países insulares, que vêm denunciando vigorosamente esses efeitos e a inação dos países que de maneira contumaz seguem contribuindo para o aquecimento global, como o Brasil.
"Mais uma vez, o nacionalismo xenófobo de parte de nossos militares se une à visão retrógrada pseudo-desenvolvimentista para promover não uma gestão, mas um ataque sobre recursos marinhos sem quaisquer ações preventivas para avaliar com racionalidade se é ou não do interesse nacional abrir mais uma frente de degradação do patrimônio comum para benefício do lucro privado."
Recentemente, vem tomando corpo junto à Comissão Interministerial dos Recursos do Mar – CIRM uma tara extrativista baseada no interesse de algumas empresas em minerar os fundos marinhos para extrair nódulos polimetálicos, que acumulam minerais de grande valor econômico. Tais depósitos, que estão associados a áreas de imensa importância para a biodiversidade marinha, como a Elevação do Rio Grande, são a razão principal da CIRM e do Itamaraty estarem buscando o reconhecimento de extensões de jurisdição brasileira nos fundos marinhos junto às instâncias da Convenção das Nações Unidas para o Direito do Mar. Não há qualquer esforço no sentido de avaliar os impactos que tais operações de mineração possam trazer e seus impactos no plano da bacia oceânica; mais uma vez, o nacionalismo xenófobo de parte de nossos militares se une à visão retrógrada pseudo-desenvolvimentista para promover não uma gestão, mas um atraque sobre recursos marinhos sem quaisquer ações preventivas para avaliar com racionalidade se é ou não do interesse nacional abrir mais uma frente de degradação do patrimônio comum para benefício do lucro privado.
É preciso que a área ambiental do Itamaraty adote uma postura condizente com uma visão avançada das temáticas ambientais, em que noções como o princípio da precaução, a busca da prevalência de alternativas sustentáveis sobre o status quo, o estímulo a soluções que interessem de fato à maioria da população brasileira de hoje e do amanhã e não a lobbies de grupos minoritários, sejam os norteadores das posições adotadas nesses tratados.
Vale mencionar alguns casos específicos nos quais se podem assumir compromissos efetivos:
  • Na Comissão Internacional da Baleia, usar todo o peso político internacional do Brasil para garantir a criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul e trabalhar pela reforma da destinação dos recursos da Comissão, privilegiando os usos não-letais das baleias pela pesquisa e turismo de observação ao invés da caça;
  • Nas negociações futuras sobre o clima, abandonar a postura obstrucionista do governo atual e defender metas vinculantes universais de redução dos gases do efeito-estufa, comprometer-se com um programa nacional de incentivo a práticas industriais e agrícolas alternativas, incluindo a continuidade da redução do desmatamento efetivo de florestas nativas, e trabalhar ativamente pela dotação de recursos para a transferência aos países desenvolvidos de tecnologias que acelerem a redução das emissões de gases de efeito estufa;
  • Nos tratados regionais de pesquisa como a Comissão do Atum Atlântico (ICCAT), parar de dobrar-se ao lobby da máfia pesqueira industrial e, além de somente aceitar quotas de pesca sustentáveis para os atuns e afins, exigir a adoção de mais medidas restritivas ao massacre de espécies não-alvo e ameaçadas como tubarões, quelônios e aves, inclusive utilizando o poder de veto de que o país dispõe para impedir que quotas e medidas insustentáveis continuem prevalecendo.
  • Na Convenção da Diversidade Biológica, defender o cumprimento – e fazer cumprir internamente no Brasil – as Metas de Aichi para 2020 sobre conservação da biodiversidade, e defender o estímulo financeiro a usos não-extrativos da biodiversidade como aqueles praticados no país e que necessitam ganhar mercado internacional adicional para competir com usos menos sustentáveis;
  • No Tratado Antártico e na Convenção para a Conservação dos Recursos Marinhos Vivos Antárticos, defender e articular com os demais países latino-americanos ações para a ampliação das áreas protegidas na Antártida e Oceano Austral, bem como apoiar as ações atinentes à proibição de práticas de pesca insustentáveis na região;
  • Na Convenção para a Regulamentação do Comércio de Espécies Silvestres de Flora e Fauna Ameaçadas de Extinção – CITES, defender vigorosamente a inclusão de mais espécies marinhas ameaçadas nas proibições de comércio internacional, e a cooperação internacional para reprimir o contrabando das espécies já protegidas;
  • Aderir à Convenção de Bonn para a Conservação de Espécies Migratórias e trabalhar ativamente para a consecução de acordos regionais que ajudem a proteger as espécies de ocorrência em território brasileiro;
  • No processo de reconhecimento da jurisdição brasileira estendida sobre os fundos marinhos além da Plataforma Continental, abandonar a visão mineradora hegemônica da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM)e impulsionar em seu um programa científico de envergadura visando conhecer, divulgar e preservar as áreas de maior biodiversidade desse espaço, condicionando quaisquer atividades extrativas a um regime precautório, adequadamente discutido com a sociedade e sujeito a licenciamento rigoroso.
  • Promover um diálogo ativo e criar um programa de cooperação para a sustentabilidade voltado para os pequenos países insulares em desenvolvimento (SIDS), redefinindo nossa relação com estes e demais parceiros em torno de uma agenda comum de conservação e usos sustentável dos oceanos.
A conservação marinha pode não amealhar votos entre as massas ignaras, nem virar tema dos debates que estamos presenciando na corrida presidencial. Não obstante, passadas as eleições precisamos seguir lutando para que qualquer que seja o candidato eleito, as medidas acima sugeridas façam parte da ação governamental imediata, já em 2015. Não fazê-lo significa jogar no lixo essa oportunidade histórica de posicionar o Brasil como um país que assume suas responsabilidades para com seu mar jurisdicional e o conjunto dos oceanos que sustentam a vida na Terra, gerando com isso não apenas um futuro para todos, mas também emprego e renda sustentáveis através da conservação. Terá nosso futuro presidente visão suficiente para tanto?

 Fonte: http://www.oeco.org.br/jose-truda/28682-brasilia-olhe-para-o-mar-e-o-proteja-da-degradacao

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Poliglotas: Orcas conseguem aprender a língua dos golfinhos


DIÁRIO DA MANHÃ
GUSTAVO PAIVA
Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Hubbs-SeaWorld, em San Diego nos Estados Unidos, descobriram que a "baleia assassina" quando criada em cativeiro junto com golfinhos do gênero Tursiops (Golfinho Nariz-de-Garrafa), pode aprender a se comunicar na "língua" deles.
Biólogos marinhos estudaram três tipos diferentes de orcas, vivendo em três celas separadas do parque aquático, e observaram que elas conseguem modificar sua vocalização para parecer com a dos golfinhos companheiros de cativeiro. essa foi a primeira vez em que se observaram o aprendizado vocal entre duas espécies.
Orcas conseguem se comunicar com golfinhos - Foto:Reprodução
Orcas conseguem se comunicar com golfinhos - Foto:Reprodução

As orcas geralmente utilizam de um estanho repertório de altos sons e tons para se comunicarem uma com as outras. Para os humanos, o animal parece estar gritando, enquanto os golfinhos utilizam uma linguagem mais agradável, com assovios e pequenos estalos. Nas orcas que vivem entre golfinhos, os altos gritos são trocados pelos assovios e estalos semelhantes aos da outra espécie.
O estudo foi publicado no Jornal da Sociedade Acústica da América (*Journal of the Acoustical Society of America). Os pesquisadores disseram que se as "baleias assassinas" consegue adaptar sua linguagem à dos golfinhos, pode haver implicações em como a população selvagem se comporta, abrindo a possibilidade de que as orcas podem se comunicar e cooperar com outras espécies oceânicas.
Orcas não são baleias
Devemos lembrar que as orcas não são baleias, as duas espécies fazem parte da mesma ordem, a dos cetáceos (da classe dos mamíferos), mas a "baleia assassina" está mais próxima dos golfinhos do que das baleias.
Os cetáceos são divididos em dois grupos: o odontocetos, que possuem dentes, e os mysticetos, que não possuem dentes. No primeiro grupo estão as orcas, os golfinhos, os botos, o cachalote, o naval e a beluga, todos são cetáceos com dentes. No segundo grupo estão as baleias que ao invés de dentes possuem barbatanas para peneirar e reter o alimento engolido.
Algumas pessoas sugerem que a confusão no apelido de "baleia assassina" para as orcas foi uma má tradução do espanhol para o inglês. Os marinheiro espanhóis chamavam a orca de "assassinos de baleias", por frequentemente atacarem em grupo baleias, para se alimentarem. 
Porém o apelido, que deveria ter sido traduzido como "Whale Killers" (Assassino de Baleias), foi traduzido como "Killer Whale" (Baleia Assassina). 
Fonte: http://www.dm.com.br/texto/193447-poliglotas-orcas-conseguem-aprender-a-lingua-dos-golfinhos

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

COMPOSTA SÃO PAULO - Entrega Composteiras 2014.

Vídeo gravado em agosto e setembro de 2014. Apresenta um pouco o processo do projeto Composta São Paulo, a produção das 2.000 composteiras e as oficinas de entrega das mesmas.

Site: http://www.compostasaopaulo.eco.br/


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Expedição tenta aferir populações de Golfinhos do Tapajós


Adriano Gambarini - 06/10/14

@AdrianoGambarini WWF-Brasil 25Boto Rosa. Foto: Adriano Gambarini
À primeira vista, parece ser um trabalho tranquilo de realizar. Sete pesquisadores permanecem sentados no teto de um barco tradicional amazônico, posicionados em direção à proa e popa, enquanto a embarcação navega lentamente. Observam qualquer movimento das águas do Rio Tapajós que denuncie a flutuação de algum boto das espécies Tucuxi (Sotalia Fluviatilis) e Boto-rosa (Inia geoffrensis), e a partir disto fazem uma série de observações. No entanto, o difícil é mensurar ou descrever em palavras o calor úmido castigante beirando os 40o, a quase imperceptível brisa que só aumenta a sensação abafada no decorrer do dia, e o interminável período de 12 horas de trabalho que começa no amanhecer e finda no cair do sol. Neste tempo, os pesquisadores se mantêm atentos à linha d'agua do vasto rio, tarefa não menos árdua, já que o brilho ofuscante em grande parte do dia incomoda a visão. Mas o propósito de dar continuidade ao trabalho de amostragem de duas das mais importantes espécies de mamíferos aquáticos nos principais rios amazônicos, faz com que esta fatigante rotina seja superada.
O risco das hidrelétricas
"A construção de barragens interrompe o fluxo dos rios (...); afeta a migração de peixes e disponibilidade de hábitat, principalmente pela redução do nível de oxigênio (...).Mas o prejuízo maior está na segregação de populações dos botos"
A expedição Golfinhos do Tapajós, realizada no início de agosto, com apoio da Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF, faz parte de um projeto maior organizado pelo Instituto Mamirauá e Fundação Omacha (Colômbia) para amostragem e estimativa populacional dessas duas espécies de cetáceos em diversos rios amazônicos. O trecho escolhido para o trabalho no Rio Tapajós vai de encontro ao projeto governamental de construção de sete hidrelétricas na bacia do rio em questão, e a primeira delas está prevista para ser construída nas corredeiras à montante da vila de São Luiz do Tapajós. A construção de barragens interrompe o fluxo dos rios e transforma consideravelmente o ambiente natural; afeta a migração de peixes e disponibilidade de hábitat, principalmente pela redução do nível de oxigênio nos trechos alagados à montante das barragens. Mas o prejuízo maior está na segregação de populações dos botos, pondo em risco as atividades de reprodução pela diminuição da taxa de encontro de machos e fêmeas e, a médio e longo prazo, redução do pool genético das populações. Estes estudos realizados no Tapajós contribuirão com uma análise critica mais detalhada sobre os impactos decorrentes das construções das barragens sobre as populações dos botos.
A metodologia utilizada pelos pesquisadores já é de conhecimento notório em estudos de cetáceos marinhos, e vem sendo adaptada e utilizada com sucesso nos rios amazônicos. A equipe foi formada por 8 pessoas. Na frente do barco, a proa, permanecem dois observadores, um anotador e um quarto pesquisador, este responsável em checar periodicamente a distância do barco até a margem e fazer fotografias dos aspectos fisio-vegetativos. Os observadores ficam nas pontas, cobrindo uma área individual de 90o (do centro para esquerda e direita). Ao observarem a flutuação de algum animal, marcam a espécie, o número de indivíduos, estimando assim o tamanho do grupo; a distância dos animais à margem, distância e ângulo dos animais em relação ao barco. Outros dados ambientais são também anotados no momento de cada visualização: ocorrência de chuva, visibilidade e por fim o estado da água. A equipe de 3 pessoas da popa (traseira do barco) é de 2 observadores e 1 anotador. Cabe a esta equipe observar eventuais animais que não tenham sido detectados pela equipe de proa.
A área de amostragem totalizou 577 km, da cidade de Santarém até Jacareacanga, incluindo os lagos e afluentes. Foram contabilizados cerca de 117 botos-rosa e 160 tucuxis. O trecho percorrido do rio está em bom estado de conservação ambiental, salvo o entorno das cidades e vilarejos, com expressivo desmatamento. Duas cenas, no entanto, chamaram muito a atenção: um descomunal porto para carregamento de grãos e uma grande quantidade de dragas para garimpo de ouro. Segundo informações, existem 63 dragas autorizadas pelo DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) para trabalharem na dragagem do leito do rio e retirada de ouro aluvião. É curiosa, para não dizer surreal, esta forma com que o governo lida com meio ambiente. Autoriza a dragagem de rio pelo garimpo, mesmo sabendo que o elemento mais importante para extração de ouro é o mercúrio, metal pesado que não é eliminado na natureza. Aí começam a surgir peixes com alto índice de metal pesado no organismo, pessoas intoxicadas, doenças degenerativas e ninguém sabe o porquê. Mas enfim, benditos sejam os pesquisadores que trazem um pouco de ideologia e esperança para este país.
A equipe de pesquisadores foi formada por: Miriam Marmontel, coordenadora do grupo de pesquisa de mamíferos aquáticos; Heloise Pavanato, oceanógrafa e responsável direta pelo projeto; e os biólogos Danielle Lima, Gabriel Melo Alves dos Santos, Federico Mosquera Guerra (da Fundação Omacha), Marcela Portocarrero-Aya, Mariana Paschoalini Frias e Rafael Meneses.

Fonte: http://www.oeco.org.br/adriano-gambarini/28697-expedicao-tenta-aferir-populacoes-de-golfinhos-do-tapajos