sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Mudanças climáticas devem reduzir espécies de anfíbios da Mata Atlântica

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – O número de espécies e o tamanho das populações de anfíbios existentes da Mata Atlântica devem diminuir sensivelmente em razão das mudanças climáticas previstas para ocorrer no bioma nas próximas décadas.
As estimativas são de um estudo realizado por pesquisadores do Laboratório de Biogeografia da Conservação da Universidade Federal de Goiás (UFG), publicado na edição de fevereiro da revista Biodiversity and Conservation.
Alguns dos resultados da pesquisa foram apresentados durante o “Workshop Dimensions US-BIOTA São Paulo – A multidisciplinary framework for biodiversity prediction in the Brazilian Atlantic forest hotspot”, realizado na segunda-feira (10/02), na FAPESP, no âmbito do projeto de pesquisa “Dimensions US-BIOTA São Paulo: integrando disciplinas para a predição da biodiversidade da Floresta Atlântica no Brasil".
O projeto reúne cientistas do Brasil, dos Estados Unidos e da Austrália e é realizado no âmbito de um acordo de cooperação científica entre o Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (BIOTA-FAPESP) e o programa Dimensions of Biodiversity, da agência federal norte-americana de fomento à pesquisa National Science Foundation (NSF).
“As projeções que realizamos indicam que, em razão das mudanças nas condições climáticas que devem ocorrer na Mata Atlântica nas próximas décadas, a maioria das unidades de conservação do bioma perderá e poucas ganharão espécies de anfíbios”, disse Rafael Loyola, coordenador do Laboratório de Biogeografia da Conservação da UFG e um dos autores do estudo.
“Aparentemente, esse padrão também deverá prevalecer para outros organismos, como mamíferos, aves, mariposas e plantas”, apontou o pesquisador durante a palestra proferida no evento.
De acordo com Loyola, há 431 espécies de anfíbios na Mata Atlântica – bioma que detém 18% de todas as espécies desses animais na América do Sul. Por meio de seis diferentes modelos de distribuição, pelos quais se associa a presença de uma determinada espécie a um conjunto de variáveis ambientais, tais como a média anual de temperatura e de precipitação, os pesquisadores estimaram como essas 431 espécies de anfíbios estão distribuídas hoje pelas unidades de conservação na Mata Atlântica.
Com base em quatro simulações climáticas distintas para a América do Sul até 2050, utilizadas no 4º Relatório de Avaliação (AR4) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), os pesquisadores estimaram em quais áreas de proteção da Mata Atlântica essas espécies de anfíbios estarão localizadas, levando em conta o tamanho, a forma e a posição geográfica das reservas florestais e as habilidades de dispersão dos animais em raios de 50, 100 e 200 quilômetros ao longo de 30 anos.
As projeções indicaram que os locais climaticamente adequados para a sobrevivência de anfíbios na Mata Atlântica deverão diminuir até 2050. Por essa razão, até 12% das espécies de anfíbios, localizados principalmente nas porções norte e sudoeste do bioma, deverão entrar em extinção e 88% terão retração da população.
“Isso quer dizer que esses 12% de espécies de anfíbios sofrerão uma contração na população de tal ordem que desaparecerão do bioma”, disse Loyola. “Não são espécies que sairão da Mata Atlântica em direção ao Cerrado ou à Caatinga. Elas realmente podem desaparecer”, ressaltou.
Mudanças na estrutura filogenética
Em um outro estudo, publicado na edição de janeiro da revista Ecography, os pesquisadores avaliaram se as mudanças climáticas também podem alterar a relação evolutiva entre espécies de anfíbios que ocorrem em unidades de conservação da Mata Atlântica, a fim de verificar se esses animais responderiam a essas alterações como clados (grupos que partilham um ancestral comum exclusivo) ou como espécies isoladas.
Os resultados dos modelos indicaram que grupos mais antigos (basais) de espécies de anfíbios, como as cecílias ou cobras-cegas, do grupo Gymnophiona, e o sapo-aru, da família Pipidae, poderão ser afetados positivamente pelas mudanças climáticas e deverão ampliar suas distribuições geográficas pela Mata Atlântica.
Por outro lado, grupos mais recentes (derivados) de anfíbios, como as pererecas de vidro, da família Centrolenidae, e outras espécies de pererecas, deverão ser severamente impactados e sua distribuição geográfica pelo bioma poderá ser reduzida em até 90%.
“Em algumas áreas de proteção da Mata Atlântica a diversidade filogenética dos anfíbios poderá aumentar em razão da extinção de espécies muito recentes, o que fará com que espécies basais aumentem sua distribuição pelo bioma”, detalhou Loyola.
“Nesse caso, a diversidade filogenética aumentará por uma razão errada: a perda de espécies muito recentes”, apontou. Uma das espécies de anfíbio que deverá beneficiar-se das mudanças climáticas, de acordo com Loyola, é a rã-touro americana (Lithobates catesbeianus). Introduzida na América do Sul desde 1930, a espécie é considerada invasora no Brasil.
“Boa parte das unidades de conservação da Mata Atlântica vai tornar-se climaticamente mais adequada para essa espécie de anfíbio”, disse Loyola. “Precisamos estudar como será possível evitar ou controlar a invasão dessa espécie, para evitar desequilíbrios ecológicos no bioma”, avaliou.
Contribuição das projeções
Segundo Loyola, as projeções de mudanças na distribuição geográfica de espécies animais podem auxiliar no planejamento e na implementação de medidas de conservação do bioma.
Ao estimar para onde determinadas espécies de animais devem migrar por causa das mudanças climáticas, é possível traçar corredores de dispersão, compostos por áreas conectadas capazes de servir de refúgio para esses animais, exemplificou.
Além disso, as projeções também auxiliam na identificação de áreas no bioma onde podem ser estabelecidas novas unidades de conservação, de modo a diminuir os efeitos das mudanças climáticas sobre o número e a composição das espécies.
“Os modelos permitem gerar soluções de conservação que consideram quais são os locais mais adequados para serem protegidos na Mata Atlântica levando em conta que o clima vai mudar e que as espécies respondem de uma maneira previsível a essas mudanças climáticas”, afirmou.
No estudo publicado na Biodiversity and Conservation os pesquisadores identificaram que as poucas reservas da Mata Atlântica que ganharão espécies nas próximas décadas estão situadas em montanhas, com capacidade de manter um clima adequado para os anfíbios.
Com base nessa constatação, eles sugerem que as novas unidades de conservação sejam estabelecidas em regiões de grande altitude do bioma e sejam criados corredores de dispersão para esses locais. Com isso, esperam atenuar os efeitos das mudanças climáticas sobre os anfíbios, mais suscetíveis às alterações no clima por sua dependência de microambientes, regimes hidrológicos e capacidade limitada de dispersão.
“É possível contornar perfeitamente esse quadro alarmante, caso as soluções que os cientistas vêm oferecendo sejam discutidas e implementadas por tomadores de decisão e legisladores; isso é uma ótima notícia para a comunidade em geral”, afirmou Loyola.
O artigo Climate change threatens protected areas of the Atlantic Forest(doi: 10.1007/s10531-013-0605-2), de Loyola e outros, pode ser lido na Biodiversity and Conservation emlink.springer.com/article/10.1007%2Fs10531-013-0605-2#.
O artigo Clade-specific consequences of climate change to amphibians in Atlantic Forest protected areas(DOI: 10.1111/j.1600-0587.2013.00396.x), também de Loyola e outros, pode ser lido na Ecography em onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1600-0587.2013.00396.x/abstract. 

Fonte: http://agencia.fapesp.br/18627

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Aliados dos pescadores, botos são atração para veranistas

Mamíferos ajudam pescadores na localização de cardumes


Botos na Barra
Foto: Gustavo Henemann/GES-Especial
Tramandaí - Se há um animal que todos os veranistas comentam quando estão no litoral norte e que vê-los é um privilégio, são os botos da Barra, que fica no limite entre Tramandaí e Imbé. A espécie costeira ocorre em vários locais do mundo, mas somente aqui no Rio Grande do Sul é que os botos e os pescadores fazem a melhor parceria.

Na beira do Rio Tramandaí, os mamíferos nadam em busca de alimentação e já aprenderam que os pescadores são seus maiores aliados na busca pelos cardumes. Conforme o biólogo do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar) – que é vinculado a Ufrgs –, Maurício Tavares, a interação entre os botos e os pescadores é única. 

“Os animais entram na barra para pescar, e o pescador de tarrafa se beneficia, pois o peixe que escapa do boto, cai na malha”, enfatiza. Segundo Tavares, a ocorrência dos mamíferos também é percebida em Rio Grande e em Torres, no Rio Mampituba. O pescador de Tramandaí Milton Gonçalves Izidoro, 45 anos, que há 20 pesca na Barra, explica que quando os botos estão no rio é mais fácil de alcançar os cardumes de tainha. Mas Izidoro afirma que a frequência dos animais é maior do inverno do que no verão. “Agora que pararam um pouco com as motos aquáticas, eles estão aparecendo de novo”, conta.

Moto aquática atrapalha

Para a bióloga Gabrieli da Silva Afonso, que está trabalhando em seu projeto de mestrado sobre os botos da Barra, o turismo tem feito com que a frequência dos botos no local diminua a cada ano. “A grande presença de embarcações, lanchas e ruídos sonoros atrapalha a vinda deles. Mas o grande problema são as motos aquáticas. Elas fazem com que os botos fujam de volta para o mar”, explica. “Além desses fatores, já realizei a coleta da água para saber se existe outra explicação”, salienta Gabrieli, que lembra que a espécie está em extinção e é vulnerável aos impactos humanos. Ao final do seu mestrado, a bióloga quer desenvolver um projeto para apresentar às prefeituras para preservação dos botos.

Eles já ganharam até nomes

Conforme Gabrieli da Silva Afonso, a população de botos que entra no Rio Tramandaí é de 10 animais. E pelo menos cinco deles têm nomes, que foram dados pelos pescadores.De acordo com a bióloga, os botos da Barra pertencem a gerações da mesma família.“Os pescadores identificam o modo de pescar dos botos e até a personalidade, por isso alguns já ganharam nomes. Temos o Catatau, Geraldona, Coquinho, Bagrinho e o Chiquinho”, detalha Gabrieli, que ainda conta que os animais são diferenciados também pelas nadadeiras dorsais.Segundo Izidoro, na semana passada, a Geraldona e o Bagrinho estiveram auxiliando a pesca.“Todos os anos tem um boto novo. Estes ainda não foram batizados”, justifica o pescador.

Perfil

Nome comum: boto

Nome científico: Tursiops ssp

Comprimento adulto: 3,5 metros

Peso adulto: 350 quilos

Tempo de vida: 30 a 40 anos

Reprodução: Ocorre durante a primavera e o verão. A gestação dura cerca de 12 meses, sendo que nasce somente um filhote por vez.

Alimentação: Os botos se alimentam de várias espécies de peixes, como a tainha, peixe-espada, brota e maria-luiza.

Problemas de conservação: lixo, moto aquática e embarcações

 Imagens

  • Botos na BarraFoto: Gustavo Henemann/GES-Especial
  • Botos na BarraFoto: Gustavo Henemann/GES-Especial
  • Botos na BarraFoto: Gustavo Henemann/GES-Especial

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

As árvores adultas de São Paulo estão sendo cortadas em pleno verão escaldante



O antigo pau-viola, árvore nativa "Veterana de Guerra" sumariamente cortado na Praça Severiano Gomes na Granja Julieta.
O antigo pau-viola, árvore nativa “Veterana de Guerra” sumariamente cortada na Praça Severiano Gomes, Granja Julieta. Recente, já que a serragem ainda é abundante.
O mesmo pau-viola de cima, em foto de 2012. Exemplar extraordinário  da espécie em tamanho e beleza.
O mesmo pau-viola de cima, em foto para a campanha da SOS Mata Atlântica de 2012 – Veteranas de Guerra – onde acabou não participando das 20 escolhidas. Exemplar extraordinário da espécie em tamanho e beleza.

Os tempos não estão fáceis para as árvores da cidade de São Paulo. Para quem observa as árvores urbanas paulistanas como eu, andar pela cidade no último ano é uma sucessão de (más) surpresas. Mais um exemplo foi encontrar um histórico exemplar de pau-viola (Cytharexylum miriantuhm) com mais de 80 anos cortado recentemente sem maiores preocupações. Essa árvore nasceu em meio a Mata Atlântica que dominava a região de Santo Amaro até cerca de cinquenta anos atrás e era uma sobrevivente da intensa urbanização, com genética típica das extintas matas do Rio Pinheiros.
Seu lenho estava na maior parte saudável, inclusive os brotos laterais (que não foram poupados), e no centro a medula apresentava sem comprometer a sua integridade, traços de podridão e cupim – como quase todas as árvores adultas de São Paulo - e que deveria ter sido tratada, até pela sua importância, mas infelizmente não existe metodologia de combate a cupins adotada pela Prefeitura – o remédio é a derrubada. Árvores urbanas tem durabilidade, mas sua remoção ou poda devem ser feitas com critério e considerando a importância do exemplar em diversos aspectos, tanto biológico, cultural e urbano.
Parece que as constantes reclamações dos paulistanos com as quedas de árvores em todos os verões pela falta de cuidados com a arborização urbana fez o Poder Público optar pela opção mais simples: cortar, cortar, podar, podar e nada de plantar (como já alertamos no último post). O resultado é fácil de ver e de sentir, na metrópole que apresenta atualmente recordes de temperatura e secura, e ainda mais perdendo sua árvores adultas e grandes – aquelas que realmente fazem a diferença em nossas vidas urbanas.
Ricardo Cardim

Fonte: http://arvoresdesaopaulo.wordpress.com/2014/02/10/as-arvores-adultas-de-sao-paulo-estao-sendo-cortadas-em-pleno-verao-escaldante/?utm_medium=facebook&utm_source=twitterfeed

Tatu gigante, de espécie rara, é encontrado em ruas de Gurupi


O tatu capturado em Gurupi é raro e tem mais de 1 metro de comprimento.
Segundo a Polícia Ambiental, o tatu-canastra é uma espécie em extinção.

Do G1 TO, com informações da TV Anhanguera
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Um tatu-canastra, espécie ameaçada de extinção, foi encontrado perambulando pelas ruas de Gurupi, na noite desta quinta-feira (6). Ele foi capturado pela Companhia Independente de Polícia Militar Ambiental de Gurupi (Cipama) e despertou a atenção de curiosos pelo tamanho. O tatu tem mais de 1 metro de comprimento e pesa 30 quilos.
"Esse animal é o primeiro que a gente pega aqui nesta região. Ele está em extinção e é raro", disse o comandante da Polícia Militar Ambiental, Salvador Pereira Neto.
Uma moradora que estava perto do local gravou o momento da captura. O tatu teve que ser amarrado até uma equipe do Corpo de Bombeiros chegar para levá-lo à sede da Polícia Ambiental.(Veja no vídeo acima)
O animal estava cansado e machucado. Mesmo frágil conseguiu quebrar uma gaiola para tentar fugir. Esta espécie tem garras enormes e se alimenta de formigas, raízes, pequenos besouros e até cobras.
tatu gurupi 3 (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)Tatu raro foi encontrado em ruas de Gurupi
(Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
O lavrador Raimundo Rodrigues, de 66 anos, morou em uma fazenda por muito tempo e disse que há mais de 40 anos não via um tatu parecido com o que foi encontrado nesta quinta-feira. "Eu vi um quando era menino e era muito maior do que este aqui, este aqui é criancinha ainda".
Esta espécie tem caça proibida e o cerrado é habitat dele. "Devido ele ser um animal que não é domesticado, nós vamos soltá-lo de imediato, nós vamos procurar um local adequado e o soltaremos o mais rápido possível", informou o comandante da Polícia Militar Ambiental.

Fonte: http://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2014/02/tatu-gigante-e-encontrado-perambulando-por-ruas-no-sul-do.html

MANCHA GIGANTE APARECE EN LA COSTA DE BRASIL

El equipo del satélite Aqua de la NASA capturó la imagen de una floración de organismos microscópicos en la costa sureste de Brasil.

Por el fenómeno, captado el 19 de enero, las aguas del atlántico sur mostraban una mancha que se extendía por 800 kilómetros, detalló el observatorio.

El Aqua es un satélite de observación terrestre que se dedica al estudio del ciclo del agua.

Biólogos que trabajan en el área donde se detectó la floración, la han identificado como Myrionecta rubra (antes llamada Mesodinium rubrum), un ciliado protista que crea su propia comida.

Según la información de la NASA, la floración descubierta hace la fotosíntesis ingiriendo cloroplastos de otras algas, y mientras amenaza a las algas microscópicas que consume, se desconoce si podría ser tóxica para otras especies marinas, o para los humanos.

Si se observa de cerca desde un barco, la floración muestra un color rojo intenso, aunque en la imagen satelital parece negra porque tiende a flotar un metro o dos por debajo de la superficie del agua.

Más cerca de Río de Janeiro y Sao Paulo, el agua en la imagen del Aqua muestra un tinte verde que quizá es signo de una floración diferente de fitoplancton, o sedimentos agitados por inundaciones recientes en la región.

Mancha gigante aparece en la costa de Brasil

El fenómeno que se extiende a lo largo de 800 kilómetros, es analizado por biólogos.

FECHA DE PUBLICACIÓN:2014-01-31     AUTOR: REDACCIÓN
Fonte: http://www.ngenespanol.com/articulos/683664/mancha-gigante-aparece-costa-brasil/


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Belo Monte ameaça maior sítio de desova de tartarugas da América do Sul


Fabíola Ortiz 

 HPIM0530Tartarugas chegam ao Tabuleiro do Embaubal para depositar seus ovos nas praia do baixo Xingu. Foto: WWF
O maior sítio de desova de quelônios da América do Sul corre o risco de deixar de existir em razão da construção da UHE Belo Monte. A sobrevivência das tartarugas da Amazônia (Podocnemis expansa) está ameaçada.
A apenas 10 quilômetros de distância do canteiro de obras da que pretende ser a terceira maior usina hidrelétrica do mundo, está o Tabuleiro do Embaubal, no rio Xingu, entre os municípios de Senador José Porfírio e Vitória do Xingu (80 km de Altamira). Todos os anos as tartarugas aparecem. Entre os meses de setembro e novembro, quando o rio está no período de estiagem, elas chegam aos montes a esta praia que se forma na cabeceira do rio, conhecida como tabuleiro.
Numa área de não mais do que três campos de futebol, 20 mil tartarugas da Amazônia buscam abrigo para reproduzir. O espaço é concorrido, são 3 hectares onde a maior tartaruga de água doce da América do Sul – que chega a medir 70 cm de comprimento e a pesar 25 kg – escolhe como sítio de reprodução e coloca em média 120 ovos.
Um fenômeno, para muitos emocionante, que começa a dar seus frutos no início de dezembro – após o período de incubação que leva entre 45 e 55 dias– quando começa a temporada dos nascimentos.
Hidrovia no rio Xingu
RVS-Tabuleiro-Embaubal Geral 1Mapa. | Clique para ampliarEssa espécie natural da bacia amazônica passou rapidamente dacategoria de "pouco conhecida" para "ameaçada". A espécie é utilizada como fonte de recurso há séculos por ribeirinhos tanto para alimentação como para produção de óleo. Antes da energia elétrica, o óleo de tartaruga era usado para iluminar as cidades da Amazônia. Agora o perigo é outro.
"Embarcações e grandes balsas passam pela rota de onde as tartarugas cruzam para chegar ao tabuleiro. Aquela região do Xingu tem sofrido um impacto muito grande dessa obra. O impacto é direto, não é indireto como fala o EIA/Rima (Relatório de Impacto Ambiental)", disse a ((o))eco Luiz Coltro, do Programa Amazônia da Rede WWF-Brasil, que defende a criação de duas unidades de conservação na região para proteger esta espécie de tartaruga.
O Tabuleiro do Embaubal reúne mais de cem ilhas no trecho final do rio Xingu e, com a inundação de áreas como a Volta Grande em decorrência da UHE de Belo Monte, a barragem poderá reter sedimentos e matéria orgânica apodrecida, importantes para conservar as praias do Embaubal, principal área onde esta espécie de quelônio desova.
"Os grandes tabuleiros que concentravam milhares de tartarugas sumiram, não há mais esse fenômeno na Amazônia. O Embaubal é um remanescente daquilo que se encontrava em termos de tabuleiro, é o maior da bacia amazônica em atividade", argumentou Coltro.
Um dos impactos diretos sobre a área de desova das tartarugas da Amazônia é a hidrovia que liga Belém - Porto de Moz - Vitória do Xingu. "Nessa hidrovia, temos detectado uma quantidade enorme de cascos de tartarugas destruídos pelo impacto de hélices de barcos, rebocadores e balsas gigantescas que passam na frente do tabuleiro, bem na rota por onde as tartarugas cruzam", comentou.
Segundo o analista de conservação, além do aumento de casos de atropelamento das tartarugas, o volume de vazamento de óleo diesel no rio Xingu tem sido identificado com frequência. "Em determinadas épocas do ano o rio tem uma coloração diferente".
Há cerca de dois anos, um novo fenômeno foi observado, por não encontrarem lugares seguros para a desova, as tartarugas soltam os ovos em pleno rio. "A tartaruga precisa de um lugar tranquilo, ela observa durante dias o tabuleiro para ter certeza de que aquele lugar oferece segurança para colocar os ovos. O processo todo leva quatro horas. Nessa época do ano, a gente evita ao máximo andar pelo tabuleiro. Mas com o fluxo descomunal de embarcações gigantes que carregam caminhões, a tartaruga simplesmente solta os ovos na água. É uma estratégia de autopreservação", explicou.
Menos peixe
Desde o início das obras da hidrelétrica, foi observado um forte avanço de grilagem e invasão de terras em matas ribeirinhas no rio Xingu, sem contar a sobrepesca na região.
"A pesca está muito além da capacidade. Os pescadores da região estão reclamando que há anos pescavam cerca de 120 kg de peixe e, hoje, não pescam mais que 30 kg. Cada vez mais está escasseando peixe no rio", lamentou.
A área do Embaubal, segundo Coltro, já teria sido inclusive alvo de estudos do Ministério de Meio Ambiente que reconhecera esta como uma área prioritária para conservação pela diversidade biológica que abriga e por sua importância socioeconômica, incluindo seu potencial turístico.
O Tabuleiro do Embaubal e suas ilhas adjacentes foram ainda objetos de amparo legal do Macrozoneamento Ecológico-Econômico do Estado, com proposta para criação de uma unidade de conservação do grupo de proteção integral (Lei nº 6.745/ 2005). O programa de Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira classificou a região como prioridade de ação em categoria extremamente alta, com ocorrência de espécies ameaçadas, endêmicas e migratórias.
HPIM0569Foto: WWF
Duas novas UCs
A expectativa, aponta o analista de conservação, é que neste primeiro semestre de 2014, poderão ser oficializadas a criação do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) de proteção integral das cerca de 20 mil tartarugas da Amazônia (Podocnemis expansa) e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS).
As duas UCs estaduais somam 27 mil hectares e estão localizadas próximo ao pequeno município de Senador José Porfírio, no Pará, com apenas 13 mil habitantes.
Estas unidades representam duas categorias com regimes de utilização diferentes, explica Coltro. "Queremos dotar a região com políticas de conservação, mas ainda não conseguimos mecanismos financeiros para perpetuar estas ações".
Enquanto o Revis é uma categoria recomendada para espécies que tenham ameaçado o seu sítio de reprodução e se destina à proteção da biodiversidade encontrada na região; a RDS é uma zona do entorno do refúgio de vida silvestre e reúne as ilhas do rio Xingu, assim como parte da comunidades que vivem à beira do rio e desenvolvem a pesca como principal atividade econômica.
Um dos potenciais da região identificados é o conjunto de cavernas e sítios arqueológicos que indicam aqueles territórios como áreas habitadas por grupos indígenas no passado.
No dia 28 de novembro de 2013, cerca de 300 moradores do pequeno município de Senador José Porfírio aprovaram em uma consulta pública a criação destas duas unidades. A consulta corresponde a uma etapa posterior à elaboração de estudos ambientais, socioeconômicos e fundiários, que tem sido realizada desde 2009.
Teve início agora em janeiro a fase de elaboração do parecer técnico por parte da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Pará (SEMA) para embasar a redação da minuta do decreto que cria as UCs. E, em seguida, o texto será encaminhado à mesa do governador do Estado para assinatura.
"A criação de UCs tem algumas fases que são gargalos, a gente está na parte delicada. Vamos para a vontade política, a vontade social já tivemos. Até fevereiro, a minuta de decreto chegará à mesa do governador", comentou Coltro esperançoso de que em março sejam anunciadas as duas unidades.
O analista lembrou ainda que o estado do Pará se comprometeu na criação de 60 milhões de hectares de UCs e conta, atualmente, com 42 milhões de hectares de áreas protegidas.
Após a fase de acompanhamento político e de criação das UCs, terá início a etapa de implementação destas áreas protegidas com pesquisas, elaboração do plano de manejo, criação do conselho gestor e organização das atividades de turismo na região.
Em nota divulgada em dezembro de 2013, a Norte Energia, consórcio responsável pelas obras de Belo Monte, informou que apoia a criação de UCs nas praias do arquipélago do Tabuleiro do Embaubal, no sudoeste paraense.
"A iniciativa faz parte do Plano de Conservação de Ecossistemas Aquáticos executado pela Norte Energia (...) que mantém equipes de pesquisadores no local. Para atender ao trabalho de monitoramento dos berçários e dar suporte à elaboração de estudos, a empresa construiu uma base de apoio, com alojamentos e acesso à internet", informou o comunicado.

Fonte: 

Researchers discover rare new species of deep-diving whale

Researchers discover rare new species of deep-diving whale

Male specimen of Mesoplodon hotaula that washed up on Desroches Island in the Seychelles in 2009, whown with men formt eh siland. It was found by Wayne Thompson (far right in picture) and Lisa Thompson of the Island Conservation Society of the Seychelles. Credit: Lisa Thompson
Researchers have identified a new species of mysterious beaked whale based on the study of seven animals stranded on remote tropical islands in the Indian and Pacific Oceans over the past 50 years.
Beaked whales, a widespread but little-known family of toothed whales distantly related to sperm whales, are found in deep ocean waters beyond the edge of the continental shelf throughout the world's oceans.
"They are rarely seen at sea due to their elusive habits, long dive capacity and apparent low abundance for some species. Understandably, most people have never heard of them," says international team leader, Dr Merel Dalebout, a visiting research fellow at UNSW.
The study of the , Mesoplodon hotaula, is published in the journal Marine Mammal Science.
The first specimen was a female found on a Sri Lankan beach more than 50 years ago.
On 26 January 1963, a 4.5 metre-long, blue-grey beaked whale washed up at Ratmalana near Colombo. The then director of the National Museums of Ceylon, P.E.P (Paulus) Deraniyagala, described it as a new species, and named it Mesoplodon hotaula, after the local Singhala words for 'pointed beak'.
However, two years later, other researchers reclassified this specimen as an existing species, Mesoplodon ginkgodens, named for the tusk-like teeth of the adult males that are shaped like the leaves of a ginkgo tree.
"Now it turns out that Deraniyagala was right regarding the uniqueness of the whale he identified. While it is closely related to the ginkgo-toothed beaked whale, it is definitely not the same species," says Dr Dalebout.
The researchers used a combination of DNA analysis and physical characteristics to identify the new species from seven specimens found stranded in Sri Lanka, the Gilbert Islands (now Kiribati), Palmyra Atoll in the Northern Line Islands near Hawai'i, the Maldives, and the Seychelles.
The new specimens are held by various institutions and groups, including the US Smithsonian National Museum in Washington DC, the Island Conservation Society in the Seychelles, and the University of Auckland, New Zealand. The genetic analyses were conducted as part of an international collaboration with the US NMFS Southwest Fisheries Science Center and Oregon State University.
The researchers were able to get good quality DNA from tissue samples from only one specimen. For the others, they drilled the bones of the whales in order to analyse short fragments of 'ancient DNA' relying on techniques commonly used with old sub-fossil material from extinct species.
The researchers also studied all other known beaked  to confirm the distinctiveness of Deraniyagala's whale, including six specimens of the closely related, gingko-toothed beaked whale.
"A number of species in this group are known from only a handful of animals, and we are still finding new ones, so the situation with Deraniyagala's whale is not that unusual," Dr Dalebout says.
"For example, the ginkgo-toothed beaked whale, first described in 1963, is only known from about 30 strandings and has never been seen alive at sea with any certainty. It's always incredible to me to realise how little we really do know about life in the oceans. There's so much out there to discover. "
Over the last 10 years or so, two other new  have come to light; both through research in which Dr Dalebout was involved. In 2002, Mesoplodon perrini or Perrin's beaked whale, was described from the eastern North Pacific, and in 2003,Mesoplodon traversii, the spade-toothed whale, was described from the Southern Ocean. Both species are known from only about five animals each.
With the re-discovery of Mesoplodon hotaula, there are now 22 recognised  of beaked whales.

Fonte: http://phys.org/news/2014-02-rare-species-deep-diving-whale.html