segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Fauna do rio Doce em Minas acabou, diz Izabella Teixeira


Por ((o))eco
Barragens de Santarém e Fundão que romperam na quinta feira (05/11), levam destruição à zona rural de Mariana, em Minas Gerais. A onda de lama já chegou ao Espírito Santo. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
A ministra do Meio Ambiente afirmou nesta quinta-feira (19) que a lama da barragem rompida em Mariana, no estado de Minas, acabou com a fauna do rio Doce. A ministra classificou o episódio como a “maior catástrofe ambiental do país” e afirmou que haverá impacto no mar, mas descartou a possibilidade da lama atingir o arquipélago de Abrolhos.
"Os peixes de superfície conseguiram migrar para alguns rios tributários, mas estão morrendo, e a fauna ribeirinha também foi impactada", afirmou, em entrevista ao G1.
Segundo a modelagem feito pelo grupo de pesquisa do oceanógrafo Paulo Rosman, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro UFRJ), a lama deverá se deslocar em direção ao Sul, em função do fluxo da maré. São esses dados que o Ministério do Meio Ambiente está usando para descartar, a princípio, um impacto em Abrolhos ou nos manguezais de Vitória, regiões com alta biodiversidade marinha.
“Vamos ter de acompanhar no tempo. O modelo gera cenários e, neles, não há expectativa de chegada a Vitória”, afirmou a ministra, que deu uma breve entrevista coletiva durante um evento sobre emissões de gases de efeito estufa, em São Paulo.

Fonte: http://www.oeco.org.br/noticias/fauna-do-rio-doce-em-minas-acabou-diz-izabella-teixeira/

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Recifes de Abrolhos ameaçados pela lama de Mariana

Força-tarefa de ambientalistas tenta salvar animais na foz do Rio Doce de rejeitos

 

POR 
Abrolhos é um dos principais santuários de flora e fauna marinhos no território brasileiro - Terceiro / Enrico Marcovaldi

RIO - O vilarejo de Regência, em Linhares (ES), jamais imaginou profecias tão violentas para o encontro do Rio Doce com o mar. Com o rompimento de barragens da Samarco em Mariana (MG), o temor de ambientalistas é que rejeitos de minério, ao chegarem à região, arrasem um dos mais importantes ecossistemas do Brasil: os recifes de corais de Abrolhos. Acostumados com ações de proteção a golfinhos e tartarugas ameaçadas que vivem e se reproduzem apenas ali, eles passaram a última semana numa força-tarefa. O esforço é para reduzir possíveis impactos dos rejeitos nas mais de 500 espécies na área, entrada para o banco de Abrolhos. Os recifes de corais — considerados “amazônias oceânicas” — estão bem mais próximos que o arquipélago, a 221 quilômetros do estuário. Não é possível dizer a que distância os resíduos serão levados, o que dependerá da posição de mar e vento. Segundo boletim do Serviço Geológico do Brasil no sábado, a chegada da água turva à barra está sendo reavaliada em razão de sua passagem por reservatórios de usinas hidrelétricas.
— Não sabemos a magnitude do impacto, já que não temos certeza sobre o que chegará. Se o padrão de impacto nas cabeceiras se mantiver, será um arraso na fauna e na flora — prevê João Carlos Thomé, coordenador nacional do Tamar/ICMBio. — Essa é uma das regiões com maior biodiversidade marinha do Brasil. É o começo do banco de Abrolhos, onde há ressurgências, com águas frias e ricas em nutrientes, com taxas de produtividade altíssimas.
Próximo à foz, convivem jubartes, dourados, meros, raias mantas. É ali o limite Norte no Brasil das toninhas, golfinho mais ameaçado do país. A região — considerada pelo governo federal área prioritária de conservação — também é ponto estratégico para sobrevivência de botos-cinza. O local é ainda o único ponto no Atlântico Sul ocidental com concentração de desovas de tartaruga-de-couro, espécie mais ameaçada de extinção no Brasil; e 2º maior ponto de concentração de desova de tartaruga cabeçuda, assistidas por uma importante unidade do Tamar em Regência.
Os répteis foram os primeiros alvos da força-tarefa de ambientalistas. No fim da semana passada, duas dúzias de ninhos foram deslocados de lugar. Na segunda, retroescavadeiras começaram a tentar reabrir a passagem do rio para o mar, bloqueada por uma faixa de areia desde junho, quando o Doce, devido à seca, não mais teve força para desaguar no mar. O temor é que, com a passagem fechada, a lama fique retida no estuário, zona de reprodução de espécies e cuja capacidade de absorção é muito menor que a do oceano. Há técnicos mobilizados para, caso seja preciso, transferir peixes do estuário para tanques em duas lagoas próximas.
— Nossa preocupação é com a possível contaminação da foz com metais pesados e a mortalidade de animais aquáticos por onde a lama passa. A quantidade de partículas em suspensão está asfixiando os bichos — diz Antônio Serra de Almeida, gestor da Reserva Biológica de Comboios, a apenas um quilômetro da foz.
Monitoramento na água feito pela prefeitura de Governador Valadares (MG) indicou turbidez 80 mil vezes acima do tolerável na última terça. A quantidade de ferro encontrada em amostras foi 13,6 mil vezes acima desse limite, e a de alumínio, 6.500 vezes. Há previsões pessimistas também sobre a duração dos danos.
— Qualquer coisa que sair dali (da foz) pode atingir os recifes de corais de Abrolhos. Se a lama chegar a eles e impedi-los de respirar, serão milhares de anos de recuperação — diz o professor da Universidade Federal do Espírito Santo Agnaldo Martins.
Procurada, a Samarco — multada em R$ 250 milhões pelo Ibama — diz que está executando sistema emergencial de monitoramento ambiental e que contratou uma empresa para diagnosticar a área atingida e elaborar um plano de recuperação.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Governo de Minas embarga licença da Samarco em Mariana


  • Antonio Cruz/Agência Brasil
    Equipes trabalham na busca de vítimas dias após o rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, em Bento Rodrigues, Mariana (MG)
    Equipes trabalham na busca de vítimas dias após o rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, em Bento Rodrigues, Mariana (MG)
A Samarco não pode mais extrair ou processar minério de ferro na mina de Germano, em Mariana (MG). Segundo o subsecretário de Estado de Regularização Ambiental, Geraldo Abreu, o governo embargou a licença de operação da unidade.
Na quinta-feira (5), as barragens de Fundão e Santarém, que pertenciam à mina e recebiam rejeitos de minério de ferro, romperam-se e inundaram de lama o distrito de Bento Rodrigues. Até o início desta segunda-feira (9),foram confirmadas duas mortes e 25 desaparecidos.
Ainda segundo o subsecretário, a Samarco só voltará a operar na região depois de cumprir exigências de segurança feitas pelo Estado. "É preciso realizar as correções necessárias para que o funcionamento da mina seja retomado", afirmou Abreu.
Não há prazo para que isso aconteça. Uma das medidas a serem adotadas pela empresa, conforme Abreu, é o término do bombeamento do minério de ferro que se encontra dentro do mineroduto da empresa que liga Mariana ao Espírito Santo. O Complexo de Germano tem reservas estimadas em 400 milhões de toneladas de minério de ferro. Hoje, são retirados anualmente da mina cerca de 10 milhões de toneladas por ano.
O embargo da licença aconteceu na sexta-feira (6). No mesmo dia, o promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto, coordenador de Meio Ambiente do Ministério Público de Minas Gerais, anunciou que pediria nesta segunda-feira o fechamento da mina. A promotoria do Estado abriu inquérito civil público para investigar a queda das duas barragens.
Segundo Ferreira Pinto, existe a suspeita de irregularidades em obras que estariam sendo feitas nas barragens para ampliação da capacidade de armazenamento de rejeitos.

Auxílio às famílias desabrigadas

O Ministério Público Estadual determinou nesta segunda que a empresa Samarco, responsável pelas barragens que romperam no município de Mariana (MG), comece a pagar auxílio de um salário mínimo para cada família desabrigada por causa do acidente, independentemente de qualquer outra indenização que a empresa tenha de arcar no fim dos processos sobre o caso.
O MPE também deu prazo de cinco dias para a empresa apresentar um plano de recuperação às pessoas atingidas pela tragédia. A assessoria de imprensa da Samarco diz que uma nota está sendo redigida sobre o assunto, que será distribuída mais tarde.

DRONE SOBREVOA BENTO RODRIGUES (MG) E REGISTRA CENÁRIO DE DESTRUIÇÃO

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Rompimento de barragens em Mariana (MG) deixa mortos e desaparecidos107 fotos

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9.nov.2015 - Escombros da vila de Bento Rodrigues, destruída por uma enxurrada de lama após rompimento de barragens nos município de Mariana (MG). A cena na região é digna da passagem de um furacão. Há casas sem telhado, preenchidas quase por completo de lama, e carros lançados metros adiante. Só as casas mais afastadas ainda têm telhado Leia mais Moacyr Lopes Junior - 8.nov.2015/Folhapress

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/11/09/governo-de-minas-embarga-licenca-da-samarco-em-mariana.htm

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Encontrados fósseis de anfíbios e réptil de 278 milhões de anos no Nordeste

Aliny Gama
Colaboração para UOL, em Maceió

Fósseis de anfíbios e répteis da Era Paleozoica são encontrados no Nordeste7 fotos

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Imagem mostra representação de espécies de anfíbios e réptil de cerca de 278 milhões de anos descobertos no Nordeste em pesquisa da UFPI (Universidade Federal do Piauí). Embora ambas as espécies fossem parentes distantes dos anfíbios modernos, elas não eram verdadeiras salamandras nem sapos, mas membros de um grupo extinto que era comum no Período Permiano UFPI/Divulgação
Fósseis de três espécies de anfíbios e uma de réptil do período Permiano, final da era Paleozoica, foram descobertas por cientistas nos Estados do Piauí e doMaranhão, numa área da Bacia do Rio Parnaíba. O material fossilizado tem cerca de 278 milhões, correspondentes ao período Permiano. Os animais viviam em lagos tropicais no Nordeste brasileiro.
Esta é a primeira fauna desta idade encontrada no hemisfério Sul e que também tem registros na América do Norte e na Europa. O estudo intitulado "Nova fauna Permiana do Gondwana tropical" foi publicado na revista Nature Communications, no último dia 5, e faz parte de uma pesquisa nos Estados do Piauí, Maranhão eTocantins.
As duas primeiras espécies fossilizadas encontradas foram de dois anfíbios carnívoros arcaicos nas cidades de Timon (MA) e Nazária (PI). Os animais receberam os nomes de Timonya anneae e Procuhy nazariensis em homenagem aos municípios que foram encontrados.
O paleontólogo Juan Carlos Cisneiros, professor doutor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), que fez parte da equipe de pesquisadores, explica que as duas espécies eram parentes distantes dos anfíbios modernos, mas não eram verdadeiras salamandras nem sapos. Elas pertenciam a um grupo extinto que era comum no Permiano.
O Timonya anneae era um pequeno anfíbio inteiramente aquático que possuía presas e guelras (aparelho respiratório dos animais que vivem na água e não possuem pulmões). O aspecto dele lembra a mistura entre uma salamandra aquática e uma enguia.
Já o Procuhy nazariensis também vivia submerso na água em lagos tropicais. O animal recebeu o nome de "Procuhy", que significa sapo de fogo na língua timbira, nativa do Maranhão, Piauí e Tocantins, porque foi encontrado fossilizado em uma rocha usada para produzir fogo na formação geológica Pedra de Fogo.
"A terceira espécie é um anfíbio do tamanho de um pequeno jacaré, cujos parentes mais próximos viveram vinte milhões de anos depois no Paraná e na África do Sul, e uma espécie de réptil com aspecto de lagartixa que até agora só tinha sido encontrada na América do Norte", explica o professor.

Fauna da Pangeia

Cisneiros destaca que a descoberta dos fósseis deve ajudar a revelar como os animais se dispersaram nas regiões da Pangeia, antigo supercontinente que teria sido subdividido em por um longo braço de mar originando as duas massas continentais Gondwana e Laurásia.
Os pesquisadores explicam que o registro das espécies encontradas no Nordeste do Brasil preenche o panorama de como era a bacia do Rio Parnaíba há mais de 200 milhões de anos, traça como estes animais se dispersaram e como colonizaram novas regiões da Pangeia. A bacia do Rio Parnaíba é conhecida pelos paleontólogos como uma região rica em material fossilizado. É lá onde está o Parque Floresta Fóssil de Teresina, único sítio paleontológico dentro de uma cidade brasileira que possui troncos petrificados com datas de 270 milhões de anos.
"O primeiro réptil encontrado aqui na região dessa idade é uma espécie que já era conhecida na América do Norte, nos Estados do Texas e de Oklahoma nos Estados Unidos. Isso mostra que a fauna do Piauí tinha conexão com a fauna daquela região. Hoje em dia parece estranho, mas temos que lembrar que naquela época os continentes estavam unidos, formando o que a gente conhecia como a Pangeia. A América do Norte estava coladinha com a América do Sul e realmente não é tão difícil que os animais pudessem habitar uma área compartilhada entre os Estados Unidos e o Brasil. Agora, a gente pode comprovar que isso de fato aconteceu porque temos uma espécie de réptil em comum entre os Estados Unidos e o Brasil da era Paleozoica", explicou Cisneiros.
Os fósseis encontrados passaram por tratamento de conservação e limpeza nos Estados Unidos e outros foram tomografados na Europa. "A parceria com outras instituições e outros países foi importante, e acho que foi o fator chave para ter bons resultados, porque cada um tem conhecimentos diferente e complementa a equipe de pesquisa, isso também nos permitiu ter acesso a técnicas, a metodologia e a recursos de outras instituições."
A descoberta faz parte do projeto "Prospecção paleontológica na Bacia do Parnaíba: Revelando um novo ecossistema permiano nos trópicos do Gonduana", que estuda as formações Pedra de Fogo e Motuca, conhecidas pelo abundante registro paleobotânico, nos Estados do Piauí, Maranhão e Tocantins.

Fonte; http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2015/11/10/encontrados-fosseis-de-anfibios-e-reptil-de-278-milhoes-de-anos-no-nordeste.htm

sábado, 7 de novembro de 2015

TRAGÉDIA HUMANA E AMBIENTAL EM MARIANA - MG

Escrito por 

Quinta-feira, 5, na linda cidade histórica de Mariana-MG, no distrito de Bento Rodrigues, romperam-se duas barragens de rejeitos de mineração da mineradora Samarco, causando uma enxurrada de lama que inundou casas e levou tragédia aos moradores da região.

Números


Uma morte foi confirmada e outros números ainda não são oficiais mas o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Mariana estima que entre 15 e 16 pessoas estariam mortas, 45 desaparecidas e centenas desabrigadas.


Saúde e meio ambiente

As causas do acidente ainda não foram esclarecidas e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e de Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) criou um comitê para averiguação e avaliação da situação. Um inquérito civiltambém será instaurado para responsabilizar os culpados pelo acidente.
Segundo o geólogo Luiz Paniago Neves do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o rejeito de minério de ferro seria inofensivo para a saúde humana e a barragem do Fundão, onde o acidente aconteceu, seria classificada como de baixo risco de dano potencial, pois seria bem gerida e com documentos em dia. A mineradora teria sido fiscalizada há dois anos e nenhum problema teria sido notado (2 anos atrás!!!).
Para o meio ambiente, ainda conforme o geólogo, o acidente não causariacontaminação ambiental. Se o rejeito liberado pelo acidente chegasse ao leito de um rio, o consumo de sua água não teria implicações para a saúde pois este rejeito é considerado inerte e inofensivo. Os rejeitos seriam rochas com pouca quantidade de ferro resultante da mineração.
As informações acima, dadas pelo geólogo para o portal G1, são, no mínimo, duvidosas, e os danos ao ambiente poderão ser percebidos mais cedo ou mais tarde. Existe o medo de que a lama seja muito tóxica pois, teria como componente os reagentes químicos normalmente usados na mineração.

Como ajudar

Exploram nossas riquezas públicas em busca de enriquecimento privado e na hora de um acidente, os moradores inocentes da região se veem na situação dedesabrigados de suas casas. Enquanto não se verificam as causas, as culpas, os danos, etc, estas pessoas precisam de ajuda. Doações são bem-vindas no centro de convenções de Mariana, na Rua Juscelino Kubistchek e nos endereços abaixo:
Na internet as hashtags #ForçaMariana e #ForçaBentoRodrigues movem uma campanha com mais 600 compartilhamentos. Esta é página do Estado de Minas no Facebook que apoia a campanha.
Outro evento no Facebook é o “Mutirão de doação para os atingidos pelo rompimento da barragem da Samarco”. Clique aqui para participar.
Em Ouro Preto as pessoas podem doar pessoalmente nos seguintes endereços:
- República Doce Veneno – Endereço: Rua Argemiro Sanna, 21 – Bairro Barra. Telefone: 31 3551-3816
- República Snoopy – Endereço: Rua Conde de Bobadela ( Rua Direita), 159 – Bairro Centro. Telefone: 31 3552-2859
- República Palmares – Endereço: Campus Universitário, 4º ala, casa C – Bairro: Vila Operária. Telefone: 31 3551-3372
Outros pontos de recolhimento dos donativos em Mariana:
- ICSA (Instituto de Ciências Sociais Aplicadas) – Endereço: Rua Catete, 166 – Bairro Centro
- ICHS ( Intituto de Ciências Humanas e Sociais)- Endereço: Rua do Seminário, s/n – Bairro Centro
Fonte fotos: Estado de Minas

Fonte: http://www.greenme.com.br/informar-se/ambiente/2479-tragedia-humana-e-ambiental-em-mariana-mg

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O árduo caminho para proteger o pato mergulhão

Por Adriano Gambarini


Foto: Adriano Gambarini
Pato-mergulhão, uma das dez espécies de aves aquáticas mais ameaçadas do mundo. Fotos: Adriano Gambarini
O cenário parece perfeito. Um imenso paredão de rocha acortina um rio de águas cristalinas. A mata ciliar acompanha suas margens protegidas, enquanto blocos de pedra formam agitadas corredeiras e grandes poços de água fria são povoados por milhares de ligeiros lambaris. Um casal de aves nada tranquilamente e se camufla à sombra da vegetação, esperando o tempo certo para mergulharem e se deliciarem na fartura de peixes. Há cerca de dois meses aconteceu o nascimento de filhotes desta que é uma das aves mais admiradas por ornitólogos e observadores de aves. Tudo corre bem nesta história, exceto pelo fato de que esta ave aquática é considerada uma das dez mais ameaçadas do mundo. Exigente por águas límpidas e cristalinas, luta para sobreviver num ambiente assolado por desmatamentos, assoreamento dos rios, expansão agropecuária e humana, detritos químicos e esgotos.
Foi neste contexto que o Instituto Terra Brasilis seguiu para região da Serra da Canastra, em Minas Gerais para pesquisar o raro pato-mergulhão (Mergus octosetaceus). Montou uma equipe permanente de biólogos em São Roque de Minas, dando início a uma série de atividades educativas e pesquisas com observação diária da espécie em campo. Buscou novos registros de distribuição do pato-mergulhão em diversos rios e tributários, tomou medidas estratégicas para conservar a espécie e estabeleceu propostas de recuperação de nascentes e mata ciliar com os proprietários rurais. Uma intenção audaciosa que começou em 2001 e desde então colheu muitos frutos, algumas pedras no meio do caminho (ou do rio), mas também muito conhecimento. Certamente um dos trabalhos mais incríveis realizados pela equipe começou há 8 anos, com a primeira captura do pato-mergulhão no mundo, para coleta de dados biométricos, colocação  de anilhas e radiotransmissores. Desta forma poderiam ter mais informações sobre a ecologia da espécie, dispersão dos filhotes, uso de território, formação de casais e uma série de dados importantes para sua conservação.
Galeria
  • Pesquisador do Instituto Terra Brasilis desce o Rio São Francisco em busca dos patos-mergulhão
“Há cerca de dois meses aconteceu o nascimento de filhotes desta que é uma das aves mais admiradas por ornitólogos e observadores de aves.”.
Há cerca de uma semana tive a oportunidade de fotografar pela terceira vez uma captura, atividade inserida no projeto “Pato Aqui, Água Acolá”, com patrocínio da Petrobras. Foram 7 dias de atividades no Rio São Francisco, próximo à famosa cachoeira Casca D’anta, no entorno do Parque Nacional da Serra da Canastra.
O trabalho consiste em localizar a família ou casal de patos de interesse, o que já não é tarefa nada fácil. Enquanto alguns membros da equipe seguem a pé ou de caiaque em busca visual, o resto se posiciona em lugares a jusante desta área, prontos para rapidamente instalarem as chamadas redes de neblina, próprias para captura de aves. Se os patos voarem em direção à rede e forem capturados, o que muitas vezes não acontece, começa a contagem regressiva para retirá-los  e dar início à biometria e análise das condições físicas do animal. Coleta de sangue é feita por um veterinário, enquanto diversas medições são realizadas pelos biólogos. A última etapa consiste em colocar anilhas coloridas e um radiotransmissor na cauda da ave.
O Instituto Terra Brasilis já realizou oito campanhas de captura totalizando cerca de 60 aves marcadas.  E justamente por conta desta marcação, descobriram, dentre outras informações, como as aves utilizam o território, para onde os jovens se dispersam, identificaram a formação de grupos mistos de jovens e conseguiram confirmar a reutilização de ninhos pelo mesmo casal ao longo de vários anos. Assim, conseguiram inclusive estimar a idade de alguns indivíduos. A partir desta pesquisa é possível estabelecer propostas para conservação e manejo da espécie, buscando garantir a qualidade do ecossistema e, sobretudo, da água.
Assista ao vídeo da soltura



Fonte: http://www.oeco.org.br/colunas/adriano-gambarini/o-arduo-caminho-para-proteger-o-pato-mergulhao/

O primeiro vídeo do mundo de baleia de Omura

A baleia de Omura desafia a compreensão científica e durante anos os cientistas estavam confusos sobre a espécie – especialmente por conta de sua similaridade com as baleias Bryde.
As Omura só ganharam o status de espécie em 2003 (o que é relativamente recente) e elas foram observadas pela PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA há apenas algumas SEMANAS.

A equipe que fez estas observações – liderada por Salvatore Cerchio do New England Aquarium e Woods Hole Oceanographic Institution – também conseguiu gravar esse vídeo (que também é O PRIMEIRO DA HISTÓRIA) de baleia de Omura nadando calmamente no Oceano Índico, ao largo da ilha de Madagascar.
A equipe está retornando este mês para estudar mais vocalizações, comportamento e características populacionais das baleias.

As baleias de Omura

Muito pouco se sabe sobre esta espécie. Elas são um membro do grupo de baleias chamado rorquals, que inclui a baleia azul. Em comparação, elas são pequenas, medindo entre 10 e 11,5 metros de comprimento. A gama de seu habitat também permanece incerta, embora tenha havido relatos de que elas ficaram encalhadas na Austrália e no Japão.
De acordo com Salvatore Cerchio, esta é a primeira evidência definitiva com descrições detalhadas de baleias de Omura em estado selvagem. O que justamente torna este vídeo tão emocionante. [iflscience]

Com vocês, o primeiro vídeo DA HISTÓRIA de uma baleia de Omura:

https://www.youtube.com/watch?v=dXQi5FDoPQg&feature=youtu.be

Fonte: http://hypescience.com/o-primeiro-video-do-mundo-de-baleia-de-omura/